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Diógenes Dantas


Pesquisa para todo gosto e para todos os gastos

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O Tribunal Superior Eleitoral decidiu transformar um caso específico em um debate mais amplo sobre o futuro das pesquisas eleitorais no Brasil. 

A partir da controvérsia envolvendo um levantamento da Atlas Intel, cuja divulgação foi suspensa pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, os ministros passaram a discutir algo que vai muito além de um único instituto: quais critérios objetivos devem ser adotados para avaliar a confiabilidade das pesquisas durante a campanha.

Por isso, o TSE iniciou contatos com representantes dos principais institutos do país e pretende realizar, em julho, uma audiência para debater metodologias, critérios de transparência e possíveis formas de aferir a imparcialidade dos levantamentos. A expectativa é que o julgamento seja retomado nos primeiros dias de agosto, antes da largada oficial da campanha, marcada para o dia 16.

A discussão chega em boa hora. Em vários estados, e especialmente no Rio Grande do Norte, a multiplicação de levantamentos tem provocado mais dúvidas do que certezas. Allyson Bezerra lidera a maioria das pesquisas para o governo, mas já houve sondagens apontando vantagem para Álvaro Dias e até para Cadu Xavier. O resultado é um ambiente de desconfiança crescente, resumido numa frase repetida com frequência nos bastidores da política: há pesquisa para todo gosto e para todo gasto.

Os números ajudam a explicar essa percepção. Apenas no primeiro semestre, pelo menos uma dúzia de institutos diferentes passou a medir o humor do eleitor potiguar. Entre empresas locais, regionais e nacionais, já foram divulgadas cerca de vinte pesquisas sobre a sucessão estadual. Nunca se pesquisou tanto. E talvez justamente por isso nunca se tenha questionado tanto.

O desafio do TSE é encontrar um equilíbrio delicado. De um lado, preservar a liberdade dos institutos e o acesso da sociedade a informações sobre o cenário eleitoral. De outro, criar parâmetros que reduzam a subjetividade das decisões judiciais e aumentem a transparência sobre metodologias, abordagens e formas de coleta. Afinal, numa eleição cada vez mais influenciada pela disputa de narrativas, a credibilidade das pesquisas passou a ser tão importante quanto os números que elas apresentam.

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