A notificação do Banco do Brasil cobrando R$ 377,4 milhões do Governo do Estado por consignados descontados dos servidores e não repassados à instituição financeira é mais um capítulo de uma crise fiscal que deixou de ser episódica para se tornar estrutural.
O governo reconhece a dívida, negocia uma solução e promete quitá-la até o fim de 2026. Mas o fato é que o problema já atravessa mais de um ano, provocou a suspensão de novos empréstimos para os servidores e expõe as dificuldades de caixa enfrentadas pela administração estadual.
O episódio ganha peso porque não surge isoladamente. Vem na esteira de contingenciamentos que já ultrapassam R$ 800 milhões, de alertas recorrentes sobre o desequilíbrio das contas públicas e de um ambiente em que cada nova notícia reforça a percepção de que o ajuste fiscal continua distante.
A prioridade do governo tem sido manter a folha salarial em dia. É uma escolha compreensível. Mas, quando recursos descontados dos contracheques deixam de chegar ao destino correto, o problema deixa de ser apenas contábil e passa a afetar diretamente a relação de confiança entre Estado, servidores e instituições financeiras.
A conta continua chegando à mesa da governadora Fátima Bezerra. E, pelo visto, ainda está longe de ser fechada.