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Economia

Petrobras pode perder US$ 300 milhões para cada US$ 10 de alta do petróleo

PETROBRAS

A disparada do petróleo no mercado internacional pode ter um efeito inesperado sobre a Petrobras. Segundo relatório da XP Investimentos, se a companhia não repassar a alta do barril para os preços de gasolina e diesel no mercado doméstico, pode registrar perdas de cerca de 300 milhões de dólares para cada aumento de 10 dólares no preço do Brent, devido ao custo maior de importação de combustíveis. A informação é da Veja.

De acordo com os analistas, o impacto ocorre porque, sem reajustar os preços nas refinarias, a estatal teria de arcar com combustíveis mais caros no mercado internacional, comprimindo margens no refino. Nesse cenário, parte da alta do petróleo beneficiaria apenas as exportações de óleo cru, enquanto o aumento do custo de importação de derivados reduziria o ganho potencial da companhia.

Caso a companhia opte por ajustar os preços dos combustíveis ao novo patamar do petróleo, a projeção é de ganhos relevantes. Segundo a XP Investimentos, cada alta de 10 dólares no barril poderia adicionar entre 4 bilhões de dólares e 5 bilhões de dólares ao resultado da gasolina. No diesel, o impacto também seria significativo: a sensibilidade aos spreads de refino indicaria um incremento entre 1,5 bilhão de dólares e 2 bilhões de dólares para cada aumento equivalente no Brent.

“Isso significa que, com o Brent a 100 dólares por barril e os spreads de refino 50 dólares por barril acima de nossas premissas do cenário-base, a Petrobras poderia gerar cerca de 28,5 bilhões de dólares em fluxo de caixa livre, valor destinado ao pagamento de dividendos, o que representaria um dividend yield de aproximadamente 25%”, afirma Regis Cardoso, que assina o relatório da XP.

Em resumo, o reajuste dos combustíveis ainda é incerto. Se não ocorrer, o fluxo de caixa livre da estatal pode ficar 15,5 bilhões de dólares menor que no cenário com repasse, uma queda de cerca de 60%  em relação aos 28,5 bilhões de dólares estimados no cenário mais favorável. Agora, resta saber qual caminho a companhia adotará.

No entanto, o cenário ainda depende da estratégia de preços adotada pela Petrobras. Sem o repasse da alta do petróleo para o mercado doméstico, o fluxo de caixa livre da estatal pode ficar 15,5 bilhões de dólares abaixo do projetado no cenário mais favorável, uma diferença de cerca de 60% em relação aos 28,5 bilhões de dólares estimados caso os reajustes sejam implementados. A decisão sobre o alinhamento dos combustíveis, portanto, será determinante para o impacto financeiro da escalada do petróleo.

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