O Banco Central (BC) avalia adotar novas medidas de segurança no Pix, incluindo restrições para bancos e fintechs que apresentem fragilidades em seus sistemas de proteção cibernética. O objetivo é reduzir riscos após uma série de ataques hackers que expuseram vulnerabilidades no sistema financeiro. Com informações do Metrópoles.
Entre as propostas em estudo estão a imposição de limites para valores e horários de transações, a proibição do registro de novas chaves Pix por instituições consideradas de risco e, em casos mais graves, até a suspensão do acesso ao sistema.
A discussão ganhou força após episódios recentes de ataques cibernéticos que provocaram prejuízos bilionários. Segundo estimativas do mercado, os desvios relacionados a fraudes digitais superaram R$ 1,5 bilhão nos últimos 12 meses.
Um dos casos mais emblemáticos envolveu a empresa de tecnologia C&M Software, que faz a conexão de instituições financeiras com a infraestrutura do Banco Central. O ataque resultou no desvio de cerca de R$ 800 milhões e acendeu o alerta sobre a necessidade de reforçar a segurança em empresas intermediárias do ecossistema do Pix.
O BC avalia criar um tratamento diferenciado entre os participantes do sistema. Instituições com histórico de falhas ou controles insuficientes poderiam operar sob restrições, enquanto bancos e fintechs que cumprirem padrões mais rigorosos de segurança manteriam acesso pleno ao Pix.
A autoridade monetária defende que a medida elevará o nível mínimo de proteção do sistema e incentivará investimentos em tecnologia e segurança digital. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que os riscos cibernéticos precisam ser constantemente mapeados e que o aumento dos incidentes tem preocupado a diretoria da instituição.
Desde o lançamento, em 2020, o Pix se tornou o principal meio de pagamento do país, movimentando bilhões de transações todos os meses. Nos últimos anos, o BC já implementou mecanismos para reduzir fraudes, como limites para transferências no período noturno e o Mecanismo Especial de Devolução (MED). As novas medidas, porém, ampliam o foco e passam a mirar também a estrutura de segurança das instituições participantes.
Para especialistas, a discussão marca uma nova etapa do Pix, que deixou de ser apenas um meio de pagamento e se consolidou como uma infraestrutura crítica da economia brasileira. A expectativa é que as mudanças aumentem a proteção dos usuários, sem comprometer a concorrência e a inovação que impulsionaram o sucesso do sistema no país.