A Polícia Federal faz nesta manhã operação em 12 cidades contra um grupo suspeito de desviar recursos públicos da Saúde de Sorocaba (95 km de São Paulo). Um dos alvos é o prefeito da cidade, Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido como "prefeito tiktoker".
Casa de Manga e sede da Prefeitura de Sorocaba foram alvo de buscas da PF. Os agentes também foram à Secretaria da Saúde e ao diretório municipal do Republicanos.
Não há mandados de prisão expedidos até o momento. Bens e valores apreendidos podem somar até R$ 20 milhões, segundo a PF.
Investigação iniciada em 2022 mostrou fraudes na contratação de uma organização social de serviços de saúde em Sorocaba. A PF também disse ter identificado lavagem de dinheiro por meio de recursos em espécie, boletos e negociações imobiliárias.
Envolvidos podem responder por seis crimes: corrupção passiva, corrupção ativa, ocultação de capitais (lavagem de dinheiro), peculato, contratação direta ilegal e frustração de licitação.
Quem é o "prefeito tiktoker"
Manga, no cargo desde 2021, é conhecido como "prefeito tiktoker". Com 45 anos de idade, o político faz sucesso nas redes sociais. Ele tem 3 milhões de seguidores no TikTok, onde produz vídeos bem-humorados.
Ele foi reeleito no primeiro turno das eleições de 2024, com 73,75% dos votos, segundo o TSE. De direita, o prefeito contou com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2024.
Manga publicou na semana passada um vídeo em que anunciava sua pré-candidatura à Presidência da República. "Chega, não serei mais prefeito" era o título do vídeo. Foi uma mudança, já que ele surgia como postulante ao governo de São Paulo, se Tarcísio deixar o posto em 2026 para disputar o Palácio do Planalto —cenário possível, já que Bolsonaro está inelegível por decisão do TSE até 2030.
"Tarcísio tem demonstrado que não quer disputar a presidência", disse Manga ao UOL, na semana passada. "Ele parece não ter vontade para o cargo".
Segundo o prefeito, o convite para ser candidato ao Planalto partiu do PRTB. A legenda ganhou holofotes no ano passado, com a candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo —ele quase foi para o segundo turno. O presidente do PRTB, Leonardo Avalanche, é suspeito de ter ligações com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).