A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu, pela primeira vez desde o início da série histórica em 2022, um nível de desconfiança majoritária, segundo pesquisa Genial/Quaest. A informação é do O Antagonsita.
O levantamento, realizado entre 10 e 13 de abril, mostra que 53% dos entrevistados afirmam não confiar na Corte, enquanto 41% dizem confiar.
A pesquisa, publicada neste domingo, 19, no Estadão, indica uma mudança gradual na percepção ao longo dos últimos anos. Em 2022, 56% avaliavam o STF de forma positiva.
A tendência de queda se intensificou entre agosto de 2025 e março de 2026. O período coincide com a repercussão do escândalo do Banco Master e com revelações de suposto envolvimento de magistrados com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A variação também aparece de forma mais acentuada em recortes regionais e de renda.
No Sul, 62% dizem não confiar no Supremo, enquanto no Sudeste o índice é de 59%. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, a desconfiança chega a 60%.
Já entre os brasileiros com renda de até dois salários mínimos, o cenário é mais equilibrado, com 47% de desconfiança e 45% de confiança.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Fachin admite crise
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, admitiu nesta sexta-feira, 17, que o Judiciário está “imerso” em uma crise que “precisa ser enfrentada” para evitar a repetição de “soluções velhas”.
O magistrado é responsável pela ideia de criação de um código de ética para seus ministros.
Segundo Fachin, o mecanismo deve funcionar como instrumento de autorregulação, capaz de gerar “constrangimento” a magistrados que eventualmente atuem em desacordo com as normas.
“Quem age em desacordo com uma regra ética precisa se sentir constrangido a repensar o seu comportamento, fazer uma autocrítica e voltar ao caminho”, disse em conversa com jornalistas.
A proposta está sendo elaborada pela ministra Cármen Lúcia. De acordo com Fachin, ele encaminhou à magistrada modelos adotados por cortes da Alemanha, da Colômbia e por órgãos da magistratura de Portugal.