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Política

[VÍDEO] Cláudio Castro confirma desistência do Senado: “Decisão mais difícil”

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O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) confirmou, nesta quinta-feira (28), que desistiu de disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Em um vídeo nas redes sociais, Castro classificou a decisão como a “mais difícil” de sua vida. Com informações do Metrópoles.

Lançada em fevereiro, a pré-candidatura se tornou insustentável após o político ser declarado inelegível e virar alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de 15 dias. Castro já havia comunicado a desistência aos comandos nacional e estadual do PL, que já esperavam o recuo.

A decisão de deixar a corrida ao Senado foi tomada pelo ex-governador depois de ele ser investigado pela PF em inquéritos relacionados a supostas fraudes envolvendo o Banco Master e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O ex-governador chegou a ser alvo de mandados de busca e apreensão.

Cláudio Castro afirmou que desistiu da disputa para “focar completamente” sua defesa nos dois casos. Sem mencionar os detalhes das investigações, o ex-governador disse não ter a “menor dúvida” da “lisura” de seu atos à frente do governo fluminense.

“Rezando muito, conversando muito, ouvindo muito, partilhando com minha família, amigos e pessoas que me acompanham, eu resolvi tomar a decisão mais difícil da minha vida. Jamais fugi de briga alguma, mas também tenho que entender que momento a gente vive, como são as coisas e em que momento elas estão na vida. Então, resolvi retirar a minha candidatura ao Senado Federal. Resolvi tirá-la para que eu possa focar completamente a minha defesa”, declarou.

“Sou advogado, já analisei, sobretudo esses dois processos, e não tenho dúvida de que a verdade será esclarecida. Mas, para isso, preciso de tempo. Preciso cuidar dos meus filhos, da minha casa, da minha esposa, das pessoas que eu amo. Não tenho a menor dúvida da lisura dos atos”, acrescentou o ex-governador (veja o vídeo).

Nos bastidores, a candidatura de Castro já era tratada como “inviável”, e o ex-governador passou a ser visto por correligionários como uma espécie de “âncora” para a chapa do partido no Rio. Ele já vinha, inclusive, sendo deixado de lado em agendas públicas.

Dirigentes do partido afirmaram ao Metrópoles, sob reserva, que havia receio de que a manutenção da pré-candidatura de Castro prejudicasse o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa ao Planalto e de Douglas Ruas (PL) na corrida pelo governo do Rio de Janeiro.

Integrantes da cúpula do PL fluminense já diziam que a avaliação interna era de que a situação do ex-governador ainda poderia se agravar e que haveria “mais por aí”.

Cláudio Castro seria candidato ao Senado em uma chapa encabeçada por Douglas Ruas, com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice. O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) ocuparia a outra vaga na disputa ao Senado.

No vídeo divulgado nas redes sociais, Castro disse que não encerrará a sua vida política neste momento. “Somente dou um passo necessário, com a certeza de estar fazendo o correto neste momento tão difícil”, afirmou.

Nos bastidores, dirigentes do PL já discutem substitutos para Castro. A expectativa é que Flávio Bolsonaro, que participou da construção da chapa no Rio em fevereiro, tenha a palavra final sobre o nome.

Entre os cotados estão os deputados federais, Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil do Rio Felipe Curi. A mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, também é mencionada nas conversas internas. Inicialmente, ela seria suplente de Márcio Canella.

Membros da direção do PL no Rio afirmam que, hoje, a disputa está entre Jordy e Sóstenes.

Derrocada

A situação política e jurídica de Castro já deteriorava antes das operações da Polícia Federal. Em março, ele renunciou ao cargo na véspera da conclusão do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A estratégia buscava evitar a cassação e provocar eleições indiretas, mas acabou deixando o Rio de Janeiro sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça a menos de cinco meses da eleição.

O ex-governador recorreu da decisão e ainda ensaiava disputar o pleito com pendências judiciais (sub judice), mas até aliados consideravam remotas as chances de reverter a inelegibilidade. “É uma questão jurídica. Ele está inviabilizado. Não sei como os advogados dele não falaram para ele ainda”, afirmou um líder do PL antes do anúncio da desistência.

Operações da PF

Para dirigentes do partido, porém, o golpe final na candidatura veio com as operações recentes da Polícia Federal. Na terça-feira (26/5), Castro foi alvo de uma ação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar um suposto esquema envolvendo o Banco Master.

Segundo a PF, a proximidade do ex-governador com o dono do Master, Daniel Vorcaro, teria facilitado um aporte de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais, no banco. Na decisão, Mendonça afirmou que os investimentos eram “temerários e desprovidos de justificativa técnica”.

A operação envolvendo o Banco Master ocorreu poucos dias após outra ação da PF, deflagrada em 15 de maio. Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a investigação apontou que Castro teria usado a máquina pública para beneficiar a Refit em um esquema de fraudes fiscais.

No vídeo publicado nas redes sociais, Cláudio Castro afirmou que os últimos “dias estão sendo muito difíceis”. “Minha família está passando por momentos que jamais imaginei que ia passar. Foram dias de dor, de exposição, de mentiras, de narrativas. Muito pior do que a mentira é a meia-verdade”, disse.

Ele declarou que, com a retirada da pré-candidatura, terá “condições de fazer uma defesa técnica”. Segundo Castro, seus advogados já apresentaram a defesa do primeiro caso e devem protocolar, até a próxima terça-feira (2/6), argumentos no segundo caso.
O ex-governador afirmou que, em “épocas pré-eleitorais”, “reputações são destruídas sem o menor pudor, simplesmente por uma busca incessante pelo poder”.

“Hoje, com muita humildade, mas com a certeza de estar fazendo o correto, eu me retiro temporariamente do pleito eleitoral. Penso que assim teremos condições de fazer uma defesa técnica. Meus advogados já fizeram a defesa do primeiro caso. Até a próxima terça-feira, também uma nova petição muito robusta será colocando explicando todos os fatos que aconteceram”, disse.

 

 

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