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Política

Caiado quer criar polícia conjunta com 10 países vizinhos ao Brasil

Ronaldo Caiado

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta sexta-feira (7) que, se eleito, pretende propor a criação de uma força policial conjunta entre o Brasil e os outros 10 países da América do Sul que fazem fronteira com o território brasileiro para combater facções criminosas internacionais e o crime organizado. A informação é do Poder 360.

A declaração foi dada durante sabatina promovida pela GloboNews e pelo G1. Segundo Caiado, a corporação permitiria a atuação integrada entre os países, com livre circulação dos agentes para dar mais rapidez às operações de combate ao crime transnacional.

“Estou criando uma polícia em parceria com os 10 países que ela tenha trânsito. Eles com o Brasil e nós com os países deles para que isso dê rapidez às operações. É a mesma coisa que a Europa fez. Eu não estou inventando a roda. Eu quero criar essa polícia na América do Sul. Eu quero ter uma polícia que possa transitar”, afirmou.

O candidato disse que pretende apresentar a proposta aos governos dos países vizinhos caso seja eleito presidente. Segundo ele, o comando da corporação seria exercido de forma rotativa entre os participantes, por meio de eleições, e afirmou que pretende disputar a primeira chefia da organização.

“São 10 países que compõem a fronteira com o Brasil. Esses 10 países eu os procurarei para nós montarmos da mesma maneira que a Europa desenvolveu uma polícia que transita entre todos”, declarou.

Eis os países que fazem fronteira com o Brasil: 

  • Argentina
  • Bolívia
  • Colômbia
  • Guiana
  • Guiana Francesa (território da França)
  • Paraguai
  • Peru
  • Suriname
  • Uruguai
  • Venezuela

Europol

Na Europa, já existe um mecanismo de cooperação policial entre países por meio da Europol, agência da União Europeia responsável por apoiar investigações transnacionais, compartilhar informações de inteligência e coordenar ações de combate ao crime organizado, terrorismo, tráfico de drogas, armas e pessoas, entre outros delitos.

Diferentemente da proposta apresentada por Caiado, porém, a Europol não é uma força policial supranacional: a agência não realiza prisões nem patrulhamento, e as operações permanecem sob responsabilidade das autoridades nacionais de cada país.

A criação da força policial faz parte do conjunto de propostas do candidato para a segurança pública. Ele disse que ainda não discutiu a proposta com nenhum governo sul-americano e afirmou que as negociações só serão iniciadas depois de uma eventual posse na Presidência.

CRIME ORGANIZADO 

Ao defender o endurecimento do combate ao crime organizado, o ex-governador de Goiás voltou a afirmar que pretende utilizar as Forças Armadas para retomar áreas dominadas por facções criminosas. Segundo ele, o objetivo é “reocupar o território“ e recuperar o controle do Estado sobre essas regiões.

“Polícia Militar e Polícia Civil são feitas para prender. Polícia do Exército é feita para reocupar o território. No meu governo, as Forças Armadas vão entrar, mas não é para prender. Exército e Marinha entram para resolver”, afirmou.

Durante a entrevista, Caiado também defendeu classificar organizações criminosas como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas, permitindo, segundo ele, uma atuação mais ampla das Forças Armadas no combate ao crime organizado.

O candidato criticou o governo federal por, segundo ele, não apoiar os Estados que integraram o Consórcio da Paz, criado em 2025 pelos governadores de Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais para coordenar ações de segurança pública.

Também voltou a se posicionar contra o uso de câmeras corporais por policiais militares, por considerar que os equipamentos inibem a atuação dos agentes em confrontos.

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