Além de levar operadores financeiros suspeitos de prestar serviços ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para colônias da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM), o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins teria garantido posições privilegiadas aos amigos em festas e eventos promovidos pela entidade.
A noticia é de ALFREDO HENRIQUE. O relato foi feito ao Metrópoles, sob condição de anonimato, por associados da AOPM, chamada pelas fontes de “clube da PM”. Segundo eles, Pereira Martins usava a posição ocupada na entidade para reservar boas vagas de estacionamento e acomodar convidados em locais privilegiados. Atualmente, o oficial da reserva é diretor de Colônias e de Patrimônio da associação.
A informação ganha relevância diante de mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF), nas quais Pereira Martins e Robson Martins de Souza tratam de carros de luxo levados a uma “festa do flashback” da AOPM.
Entre os veículos mencionados, estavam três modelos da Porsche (Cayenne, Panamera e 911 Carrera S).
“Ele garantia os melhores lugares para os amigos”, afirmou a fonte.
O registro mais recente em que Pereira Martins e Robson posaram juntos para uma foto ocorreu em outubro do ano passado,na festa de 94 anos da entidade, que contou com show do cantor Sidney Magal.
Nos arquivos públicos da associação, a reportagem localizou uma fotografia feita dois meses antes, em agosto de 2025, durante a comemoração dos 10 anos do Flashback AOPM.
Ubaldo foi preso em março deste ano na Operação Bazaar e voltou a ser capturado em julho, durante a Operação Janus, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Ele é apontado como integrante de estrutura financeira suspeita de movimentar e ocultar valores para criminosos, entre eles, membros do PCC.
Em outra fotografia já revelada pelo Metrópoles, Pereira Martins e a esposa aparecem à mesa de um restaurante com Ubaldo e Cléber Azevedo dos Santos, também preso na Janus.
O relatório da PF também registra imagens de um Porsche 911 amarelo. O documento não afirma que os veículos pertenciam diretamente aos operadores nem que houve irregularidade na entrada dos carros no evento. O material mostra, porém, que o coronel tratava diretamente com Robson sobre os automóveis.
Mensagens obtidas pela PF também revelam que Pereira Martins organizava viagens dos operadores para colônias mantidas pela associação.
As conversas indicam que os operadores acessavam as estruturas de lazer da associação dos PMs por intermédio de Pereira Martins.
A presença de pessoas posteriormente relacionadas a uma estrutura financeira do PCC provocou preocupação entre associados.
Relatório da Delegacia de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros da PF define Pereira Martins como “grande amigo” de Cléber e Robson.
Em nota divulgada no site da entidade, nessa terça-feira (28/7), a AOPM confirmou a relação social entre o coronel e os empresários, mas afirmou que, na época, “sobre eles, não pairavam quaisquer suspeitas de todos ao seu redor”. A entidade também disse que o oficial “não tem sobre si qualquer indício de práticas ilícitas”.
A PM e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmaram anteriormente que não compactuam com desvios de conduta e que a Corregedoria da corporação pediu acesso aos documentos da investigação.