O goleiro Brazão, um dos destaques, diria que o maior, do time do Santos, não foi tão bem contra o Fluminense. Vendo os melhores momentos fiquei surpreso por o jovem goleiro tomar aqueles dois gols, pois ele tem feito defesas muito, mas muito mais difíceis ao longo do ano, salvando o Santos de tomar, sem exagero, algumas goleadas.
Não me importei muito, todo bom goleiro tem seu dia de falhas, foi o que imaginei. Hoje, ao ver um texto da Milly Lacombe, acompanho quase todos os jornalistas do Uol Esportes - Milly, Juca, Casão, Mauro César, PVC - e fiquei pasmo, como acabei voltando no tempo. O pai do Brazão estava em estado terminal na UTI de um hospital, e acabou falecendo após o término da partida.
O assunto que me fez lembrar o Alecrim de 1980. Um treinador chamado Pedrinho Rodrigues, o velho do cachimbo, já falecido, veio me interpelar de forma rude questionado porque faltei a dois dias de treinos seguidos. Expliquei a ele, tinha inclusive mandado recado por outros jogadores, que o meu pai tinha falecido. Ele, sem sequer me dar condolências, de forma dura, disse que o jogador de futebol é artista e não podia parar por isso.
Olhei para ele, dei meia volta, e disse: vim aqui só para dizer ao senhor que não vou treinar e nem jogar neste domingo. Isso numa quinta-feira. Saí sem olhar para trás. Soube depois que ele havia falado que ia me afastar do time. Pouco me lixei. Mas aí ele esqueceu que o time tinha um dono: Bastos Santana. Ele teve que me aceitar de volta, caladinho.
O lugar de Brazão, discordo de Tadeu, irmão de Oscar, pois não dá para trabalhar com a dor de uma perda, sentida, de verdade, o menino do Santos deveria estar ao lado do pai nos seus últimos momentos. E acho que era isso que ele queria.
Após a morte, só após a morte, o Santos liberou o atleta que não deve entrar em campo pela Copa do Brasil.