A decisão que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a cumprir pena na Papudinha, em Brasília, vai impulsionar a pressão de aliados para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da Dosimetria. A informação é do R7.
A etapa depende do Congresso Nacional, sem data prevista, mas parlamentares de oposição defendem que a análise ocorra o mais rápido possível. Avaliam, também, que a derrubada ganha força com a situação do ex-presidente.
Ao R7, o líder da oposição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), cobrou uma resposta política e voltou a defender pedido apresentado ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a análise do veto ocorra o mais rápido possível.
“Precisa derrubar a dosimetria e, evidentemente, o Senado tem que reagir. Não tem sentido o que está acontecendo hoje e o Senado ficar inerte”, afirmou Izalci.
O senador também criticou a transferência de Bolsonaro, decidida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e apontou risco devido aos problemas de saúde do ex-presidente. Ele ainda defendeu que a prisão passe para a domiciliar.
“Totalmente inadequado em função da situação dele, a saúde dele é muito grave. Passou por nove cirurgias, está cheio de problemas. A única forma de resolver isso seria prisão domiciliar, para que pudesse ter atendimento em casa.”
Na avaliação do senador, a decisão de Moraes também impulsiona o debate entre a oposição para insistir pelo pedido de impeachment do magistrado. “É uma questão que será tratada [entre oposição] com certeza, diante do que está acontecendo.”
Críticas à transferência
Oposicionistas reagiram ao pedido de transferência de Moraes desde a noite de quinta-feira (15), com avaliação de que a medida é desproporcional e violaria os direitos humanos.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que a mudança de local para cumprimento da pena teria sido tomada de forma isolada e para demonstração de força. “O que vemos não é justiça, é autoritarismo”, disse.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, também questionou a mudança do local de cumprimento da pena e defendeu que Bolsonaro vá para domiciliar.
“A transferência para a Papudinha escancara o abuso: traficantes e assassinos recebem tratamento mais humano do Estado do que um homem preso por crime impossível”, disse, por nota.
Bolsonaro na Papudinha
Condenado a 27 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpria pena desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência da Polícia Federal, também na capital federal.
As críticas constantes às condições da sala ocupada por ele, no entanto, levaram o ministro Alexandre de Moraes a decidir pela transferência do ex-presidente.
Segundo Moraes, vinha ocorrendo uma “sistemática tentativa de deslegitimar” o cumprimento da pena do ex-presidente, que acontecia “com absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”.