A rejeição de Jorge Messias ao Supremo deixou de ser apenas um revés institucional. No Palácio do Planalto, o episódio passou a ser tratado como enfrentamento político direto ao presidente Lula — e à autoridade constitucional de indicar ministros da Corte.
Por isso, Lula decidiu dobrar a aposta.
A informação de que o presidente pretende reenviar o nome de Messias ao Senado revela mais do que insistência pessoal. É uma tentativa clara de impedir que a derrota se transforme em símbolo de fragilidade política diante do Congresso Nacional.
No entorno do presidente, permanece a convicção de que Davi Alcolumbre trabalhou silenciosamente para derrotar o advogado-geral da União. Alcolumbre nega. Mas, no Planalto, poucos acreditam que uma rejeição inédita dessa dimensão aconteceria sem articulação política pesada nos bastidores.
O problema é que Lula corre o risco de transformar uma derrota pontual numa crise institucional prolongada.
Reenviar o nome de Messias significa convocar uma nova disputa de força com o Senado — justamente num momento em que a relação entre Executivo e Congresso já atravessa uma fase de desgaste crescente.
Nos bastidores, o presidente até ouviu sugestões para indicar outro nome ao STF, inclusive uma mulher, diante da pressão de setores do PT. Mas auxiliares alertaram para o custo político da mudança: abandonar Messias agora seria admitir derrota. Pior: transformaria qualquer nova indicação numa espécie de “plano B” do governo.
Ao que parece, Lula preferiu o confronto. E decidiu deixar claro que, pelo menos desta vez, não pretende sair de cena recuando. Quando enfrentou Donald Trump no tarifaço, o petista cresceu nas pesquisas. Pode estar repetindo a fórmula ao decidir confrontar Davi Alcolumbre.
É um movimento politicamente arriscado num momento em que o presidente ainda tenta recuperar popularidade às vésperas das eleições.