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Ênio Sinedino


Messias barrado: Recado veio do Senado - e do STF

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Foto: Ricardo Stuckert e Sergio Lima

Messias barrado: o recado veio do Senado — e do STF

Não acontecia desde 1894. Para encontrar uma rejeição como a de Jorge Messias ontem no Senado, é preciso voltar ao governo de Floriano Peixoto, à Revolta da Armada e à Revolução Federalista. O placar foi 42 a 34. Faltaram sete votos. Recado claro ao governo Lula (mal articulado) e ao STF (processos de impeachment de ministros)

O troco de Alcolumbre

Davi Alcolumbre nunca engoliu o nome de Messias. Queria Pacheco — seu candidato, seu amigo, seu projeto. Lula preferiu o evangélico, advogado-geral da União, homem da casa. Alcolumbre fez o que sabe fazer melhor: esperou. Engavetou a mensagem por meses, marcou a sabatina quando bem entendeu e ontem cobrou a fatura. No discurso que antecedeu a votação, ainda se deu ao luxo de reclamar publicamente da "demora do Executivo" em mandar o nome — depois de ele próprio segurar a pauta como ninguém. É a velha técnica do bombeiro piromaníaco.

Moraes nos bastidores

Mas Alcolumbre não estava sozinho. Do outro lado da Praça dos Três Poderes, Alexandre de Moraes operou na sombra. Por meio de assessores — porque, oficialmente, ele não falou com senador nenhum, conforme fez questão de avisar à imprensa — passou o recado: Messias na Corte seria um problema. E era mesmo.

Messias é amigo pessoal de André Mendonça, adversário histórico de Moraes. A entrada dele no Supremo desequilibraria o tabuleiro: o grupo de Moraes, hoje confortavelmente majoritário, perderia o fiel da balança em votações decisivas.

Caso Master, a palavra que ninguém disse em voz alta

Entre essas votações decisivas, uma em particular tira o sono no segundo andar do STF: o Caso Master. Moraes e a mulher, Viviane Barci, estão na lista dos que precisam de maioria amiga quando o assunto entrar na pauta. Com Messias dentro, o cálculo mudava. Sem Messias, segue tudo como dantes no quartel de Abrantes.

E agora, Pacheco?

Aliados de Lula e de Alcolumbre já trabalham com a hipótese de Pacheco voltar ao jogo — afinal, era o nome do presidente do Senado desde o começo. Mas há combinação fechada: a pauta só retorna depois das eleições. Antes disso, ninguém mexe.

Ou seja: o STF segue por meses com onze cadeiras e uma vaga aberta, à espera de quem o Senado quiser deixar entrar. Lula não abre mão de indicar o nome. Alcolumbre decide. E Moraes, do gabinete, observa com a serenidade de quem acabou de vencer uma partida que o adversário nem percebeu que estava jogando.

 

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