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Ênio Sinedino


Numa semana, duas derrotas.

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Foto: Joedson Alves / Agencia Brasil

Numa semana, duas derrotas.

A pergunta era da Eliane Cantanhêde, no Estadão. Levantou a hipótese de que Lula colecionaria dois tombos em poucos dias: a rejeição de Jorge Messias para a vaga do STF e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria. A jornalista, prudente, deixou o ponto de interrogação ao final, como manda a etiqueta da boa análise política. O Congresso dispensou a cerimônia. Respondeu antes que a tinta da coluna secasse.

Messias caiu primeiro. Cinco meses de espera, audiências, articulação, telefonema, jantar — e o nome do AGU foi devolvido ao Planalto pelo plenário do Senado com a deselegância protocolar de quem nunca quis o pacote. Não era preciso ser Davi Alcolumbre para enxergar o desfecho. Bastava saber contar votos. O Palácio insistiu mesmo assim, como quem joga na loteria achando que sorte vence estatística.

A segunda derrota veio na sequência. O veto integral de Lula ao PL da Dosimetria — o tal projeto que reduz penas de condenados pelo 8 de Janeiro — foi derrubado por Câmara e Senado. Caiu inteiro. Caiu rápido. Caiu na véspera do feriado, que é como o Congresso costuma dar más notícias ao Executivo: com mala feita e cara de quem já está a caminho do aeroporto.

Some-se o calendário. Quórum em véspera de feriadão é convite a passagem aérea. Some-se a aritmética. Lula precisava de 257 deputados e 41 senadores num momento em que sua base parlamentar tem a consistência de geleia derretida. Some-se a política. Hugo Motta na Câmara e Alcolumbre no Senado não estão exatamente disputando vaga de líder do governo. O resultado, portanto, não foi acidente. Foi boletim meteorológico cumprido à risca.

O detalhe que merece registro é outro. Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses, em prisão domiciliar por saúde debilitada, vê a pena despencar para 13 anos com o pacote em vigor. A bancada bolsonarista comemora. A governista repete, em voz baixa, a velha sabedoria popular que dispensa bibliografia: “Tudo que está ruim sempre pode piorar”.

Em ano eleitoral, a resposta tende a vir nas urnas. Antes disso, já veio na conta do Planalto. Duas derrotas em uma semana, ambas anunciadas, ambas consumadas. A terceira, a quarta e a quinta dependem da capacidade de Lula de atravessar 2026 sem trocar a articulação política por discurso de palanque.

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