Logo 96FM

som+conteúdo

1820x400px.gif

Ênio Sinedino


O viúvo do futebol

lfita-do-luto.jpg

O Brasil venceu o Haiti ontem. Anotou aí? O Haiti.

Vitória com a qual, convenhamos, qualquer seleção com um bom preparador físico e dois atacantes razoáveis poderia celebrar com relativa tranquilidade.

Aliás, plagiando nosso presidente Lula: “O treinador deles trabalha de home-office.”

Verdade. Sébastien Migné treina a seleção Haitiana remotamente. Nunca pisou no Haiti.

Mas.. detalhes à parte, venceu. E a torcida aplaudiu. E os comentaristas festejaram. E eu, cá do meu cantinho, fiquei me perguntando: convenceu quem?

Sou de uma geração contaminada de forma irreversível.

Vi Zico, Falcão, Sócrates e Junior jogar futebol de verdade — aquele futebol que não precisava de esquema tático jogava por música.

Aí vc pergunta: E 05 de julho de 1982? Estadio Sarriá, Barcelona, Italia 3x 2 no Brasil?

Explico: Os deuses do futebol estavam numa “siesta”

 Depois vieram Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos. O mundo parava para assistir ao Brasil.

Hoje o mundo assiste por educação.

2014 me deixou sequelas. Sete a um não é derrota — é diagnóstico. E desde então não consigo fingir entusiasmo que não existe.

Já tentei. Não funciona.

O Ancelotti, era a cereja de um bolo que, por enquanto, virou jiló. Veio com pompa de revolucionário, chegou na ponta dos pés e sumiu do campo — assim como o time que comanda.

Neymar lesionado e na sombra de si mesmo pode ser, talvez, o lampejo de genialidade que falta. Ou pode ser mais um devaneio de torcedor viciado na memória de um futebol que não volta mais.

O Brasil ganhou do Haiti, sim.

Eu continuo de luto.

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado