O Brasil venceu o Haiti ontem. Anotou aí? O Haiti.
Vitória com a qual, convenhamos, qualquer seleção com um bom preparador físico e dois atacantes razoáveis poderia celebrar com relativa tranquilidade.
Aliás, plagiando nosso presidente Lula: “O treinador deles trabalha de home-office.”
Verdade. Sébastien Migné treina a seleção Haitiana remotamente. Nunca pisou no Haiti.
Mas.. detalhes à parte, venceu. E a torcida aplaudiu. E os comentaristas festejaram. E eu, cá do meu cantinho, fiquei me perguntando: convenceu quem?
Sou de uma geração contaminada de forma irreversível.
Vi Zico, Falcão, Sócrates e Junior jogar futebol de verdade — aquele futebol que não precisava de esquema tático jogava por música.
Aí vc pergunta: E 05 de julho de 1982? Estadio Sarriá, Barcelona, Italia 3x 2 no Brasil?
Explico: Os deuses do futebol estavam numa “siesta”
Depois vieram Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos. O mundo parava para assistir ao Brasil.
Hoje o mundo assiste por educação.
2014 me deixou sequelas. Sete a um não é derrota — é diagnóstico. E desde então não consigo fingir entusiasmo que não existe.
Já tentei. Não funciona.
O Ancelotti, era a cereja de um bolo que, por enquanto, virou jiló. Veio com pompa de revolucionário, chegou na ponta dos pés e sumiu do campo — assim como o time que comanda.
Neymar lesionado e na sombra de si mesmo pode ser, talvez, o lampejo de genialidade que falta. Ou pode ser mais um devaneio de torcedor viciado na memória de um futebol que não volta mais.
O Brasil ganhou do Haiti, sim.
Eu continuo de luto.