A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a terceira fase da Operação Coffee Break, que apura um esquema de fraudes em licitações públicas para fornecimento de materiais didáticos a prefeituras do interior de São Paulo. A informação é do Metrópoles.
Na fase anterior da operação, a PF teve como alvo Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, enteado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em São Paulo, além da execução de medidas de constrição patrimonial autorizadas pela Justiça.
Durante as diligências, os agentes apreenderam fuzis, espingarda, pistolas, carregadores e munições.
A nova fase dá continuidade à operação iniciada em novembro do ano passado, quando a Polícia Federal cumpriu 50 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Distrito Federal e Paraná.
Ex-nora
Carla Ariane Trindade é investigada sob suspeita de receber propinas do empresário André Gonçalves Mariano, apontado pelos investigadores como pivô do esquema.
Segundo a Polícia Federal, André Mariano teria contratado Carla Ariane para obter vantagens junto ao governo federal.
Em uma agenda apreendida durante as investigações, o nome dela aparece acompanhado do apelido “Nora”, em referência ao vínculo familiar que manteve com o presidente.
A PF sustenta que recursos do Ministério da Educação (MEC) destinados à compra de materiais didáticos foram desviados por meio do direcionamento e do superfaturamento dos contratos.
Atuação em Brasília e FNDE
Os investigadores afirmam haver indícios de que Carla Ariane atuou em Brasília para viabilizar a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em favor da empresa Life.
A PF também aponta que Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria exercido papel semelhante.
Prisões e desdobramentos
Na fase deflagrada em 13 de novembro, a Polícia Federal prendeu seis pessoas sob suspeita de fraudes em licitações nos municípios de Sumaré e Hortolândia (SP). Entre os alvos estava o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB).
Os investigados poderão responder, conforme o grau de envolvimento, por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.
Esquema na Educação
De acordo com a investigação, o esquema de corrupção e desvio de recursos públicos da Educação estaria em funcionamento desde, pelo menos, 2021, com ramificações em diferentes municípios paulistas.
Um relatório parcial do inquérito aponta que agentes públicos, lobistas, doleiros e empresários teriam atuado de forma coordenada em uma organização criminosa estruturada.
O foco da apuração é a empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu cerca de R$ 70 milhões para o fornecimento de kits e livros escolares a três prefeituras de São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, os contratos teriam sido direcionados e superfaturados, com parte dos valores desviada por meio de empresas de fachada.