A Polícia Federal decidiu substituir o delegado responsável pelo inquérito da chamada “Farra do INSS”, investigação que avançava sobre o esquema de desvios de aposentadorias e pensões e que também havia solicitado abertura de apuração contra Fábio Luís Lula da Silva. A informação foi publicada pelo O Estado de S. Paulo, e caiu em Brasília como mais uma dessas “coincidências” que a política brasileira produz com espantosa frequência.
A Polícia Federal preferiu o silêncio. Não explicou se a saída do delegado Guilherme Figueiredo Silva partiu dele próprio ou se veio de cima. Em governos petistas, aliás, certas coincidências administrativas costumam surgir justamente quando investigações começam a circular perigosamente perto do entorno do poder. Alguém aí lembra do telefonema de Dilma avisando a Lula que mandaria o "Bessias" levar o termo de posse em caso de necessidade?
O delegado comandava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF e vinha conduzindo as apurações após o caso chegar ao Supremo Tribunal Federal. Foi ele também quem pediu a prisão de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema que teria saqueado aposentadorias de brasileiros.
Segundo o Estadão, a troca chamou atenção do ministro André Mendonça, que convocou reunião com integrantes da PF para pedir explicações. O detalhe é revelador: se até dentro do Supremo surge estranhamento, é porque a fumaça política já ficou visível demais para ser ignorada.
É o velho roteiro do petismo: quando a operação mira opositores, fala-se em fortalecimento institucional. Quando começa a rondar aliados do poder, aparecem os movimentos discretos de bastidor, todos oficialmente normais, todos convenientemente difíceis de explicar.
No fim, a sensação que sobra para o brasileiro é devastadora. O país onde aposentados são roubados enquanto políticos discursam sobre justiça social continua sendo também o país onde investigações sensíveis parecem entrar em terreno movediço assim que começam a incomodar o andar de cima.
E, em Brasília, quase sempre é possível saber quando uma investigação ficou politicamente perigosa: o silêncio aumenta, as explicações desaparecem e alguém acaba substituído no meio do caminho.