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Esporte

"Tive que pedir para jogador não ir embora", diz treinador de clube tradicional no Brasil

Foto: Marcos Ribolli

A crise enfrentada pela Ponte Preta ganhou contornos ainda mais delicados após a terceira derrota consecutiva no Campeonato Paulista. Impedida de registrar reforços por conta do transfer ban, a Macaca vive um cenário de instabilidade que também ameaça a manutenção do elenco montado para a temporada.

A matéria é do ge. Após a derrota para o Capivariano, o técnico Marcelo Fernandes revelou que precisou intervir diretamente para evitar novas saídas e expôs o desgaste provocado pela situação financeira do clube.

- Eu pedi para os jogadores ficarem até terça-feira. Tive que pedir para não ir embora. Mas, se não conseguir derrubar o transfer ban, vai ficar uma situação muito difícil - afirmou o treinador.

A Ponte disputou as três primeiras rodadas do Paulistão sem poder utilizar os reforços contratados para 2026. O reflexo em campo é direto: três derrotas, nenhum gol marcado e a lanterna da competição. Fora dele, a consequência tem sido a perda de profissionais e atletas diante da insegurança sobre salários e planejamento.

Marcelo Fernandes deixou claro que o problema extrapola o trabalho da comissão técnica.

- Não foi fácil lidar com esses problemas no ano passado, mas agora não está mais na minha mão e de ninguém da comissão. Não depende mais da nossa atitude. Estamos fazendo de tudo, mas só isso não é suficiente. Só tem uma coisa que é suficiente neste momento e não depende de nós.

Sem poder inscrever jogadores, Marcelo segue sem contar com o goleiro Thiago Coelho; o lateral-direito Lucas Justen; os zagueiros David Braz, Lucas Cunha e Walisson Maia; o volante Tárik; o meia Cristiano; e os atacantes Herbert e Vitor Pernambucano - todos contratados, mas impedidos de atuar.

Outros atletas chegaram a se apresentar e treinar, mas optaram por sair diante das indefinições. Foram os casos do zagueiro Wallace, dos laterais-direitos Gabriel Inocêncio e Bryan Borges, e do volante Pedro Martins. Além deles, os volantes Léo Oliveira e Luiz Felipe, remanescentes de 2025, deixaram o clube ainda na pré-temporada.

O meia Serginho, peça do elenco campeão da Série C, foi emprestado ao North-MG um dia após entrar em campo na estreia contra o Corinthians, evidenciando o ambiente de incerteza vivido no Majestoso.

Com poucos nomes na lista principal, a Ponte tem recorrido às categorias de base para completar o grupo nas três primeiras rodadas do estadual.

- Os veteranos estão dando a vida. O certo era eles descansarem para equilibrar o time fisicamente, mas isso não é possível sem os reforços. É um fardo pesado. Tem menino sentindo, tem gente frustrada - completou Marcelo.

Marcelo Fernandes confirmou que estabeleceu um prazo interno para uma definição sobre o transfer ban. Caso a situação não seja resolvida nos próximos dias, o risco de novas saídas aumenta consideravelmente.

- Fomos campeões da Série C há 40 dias. Estivemos juntos na alegria e agora estamos lutando na tristeza. Se acharem que precisam colocar outra pessoa, eu vou entender. Minha consciência está tranquila porque estamos tentando de tudo por essa instituição, mas precisam agir.

Protestos e abaixo-assinado

A pressão sobre a diretoria pontepretana ganhou novos capítulos também fora das quatro linhas, com dois protestos previstos ao longo da semana: um nesta segunda-feira, dia 19, da torcida em geral, e outro na quarta, 21, convocado pela Torcida Jovem, a maior uniformizada da Ponte.

Os atos têm como principais alvos o presidente Luiz Antônio Alves Torrano e o vice-presidente Marco Antônio Eberlin. Em meio ao colapso financeiro vivido pelo clube, cresce entre os alvinegros a cobrança por mudanças na condução administrativa.

Um abaixo-assinado, com quase 1,2 mil assinaturas até a manhã desta segunda, também mobiliza a torcida nas redes sociais, pedindo a renúncia da diretoria do clube.

As ações da torcida marcam uma escalada no tom das manifestações. Nas redes sociais, organizadas pedem mobilização para cobrar respostas da diretoria executiva diante do agravamento da crise da Macaca.

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