A repercussão da declaração do senador Styvenson Valentim de que poderá indicar a própria irmã para a primeira suplência de sua candidatura à reeleição é compreensível. Afinal, trata-se de uma escolha que inevitavelmente desperta o debate sobre nepotismo, patrimonialismo e os limites entre confiança pessoal e interesse público.
Mas há um detalhe importante: Styvenson não está inventando essa prática. Está apenas repetindo um velho vício da política brasileira.
Ao longo das últimas décadas, o Senado acumulou casos emblemáticos de suplências ocupadas por parentes. Antônio Carlos Magalhães indicou o filho, ACM Júnior. Edison Lobão fez o mesmo com Lobão Filho. Ciro Nogueira escolheu a mãe, Eliane Nogueira. Vital do Rêgo levou a mãe, Nilda Gondim. Mais recentemente, Davi Alcolumbre manteve o irmão, Josiel Alcolumbre, como primeiro suplente.
A lista mostra que o problema não tem partido nem ideologia. É uma cultura política que atravessa governos, legendas e gerações.
Nada disso torna a escolha de Styvenson menos questionável. Pelo contrário. O fato de ser uma prática antiga não a transforma em uma boa prática.
A suplência no Senado já é um instituto que desperta críticas por permitir que alguém chegue ao mandato sem receber um único voto. Quando essa vaga é reservada a um parente, a sensação de que o cargo pertence à família — e não ao eleitor — apenas se fortalece.
Num ambiente verdadeiramente republicano, esse é um costume que deveria ter ficado no passado.
Eu sou o que sou — Styvenson Valentim voltou a dizer que não é "bolsonarista". E foi além:
— Ajudo o presidente Lula nas votações que considero benéficas para o povo — afirmou em recente entrevista ao BG, da 96 FM.
A declaração provocou a reação de um bolsonarista de carteirinha, que perguntou:
— O que danado Styvenson quer provar com essa coerência? Que não precisa do voto bolsonarista para se reeleger?
Media training — O pré-candidato ao governo, Álvaro Dias, está afastado dos microfones do rádio e da TV há algumas semanas. Por orientação do marketing da pré-campanha, o ex-prefeito de Natal tem se dedicado a um intenso programa de media training. A avaliação é de que, antes de voltar às entrevistas e aos debates, precisa estar preparado para enfrentar temas negativos que deverão ser explorados pelos adversários durante a campanha.