A notícia publicada por Lauro Jardim, no Globo, provocou um incêndio político antes mesmo de produzir qualquer efeito prático. Segundo a coluna, o apoio do Republicanos à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro teria sido condicionado à futura indicação do presidente da legenda, Marcos Pereira, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
A reação foi quase instantânea. Republicanos e pré-campanha de Flávio Bolsonaro correram para desmentir, de forma categórica, que qualquer negociação desse tipo tenha existido. Os dois lados fizeram questão de afastar a ideia de troca de apoio político por uma cadeira na mais alta Corte do país.
A velocidade dos desmentidos talvez diga tanto quanto a própria notícia.
Às vésperas das convenções partidárias, Flávio Bolsonaro tenta consolidar alianças enquanto administra duas crises simultâneas: as revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o desgaste provocado pela crise política e familiar com Michelle Bolsonaro.
Vincular uma eventual composição política à promessa de indicação para o STF alimentaria um discurso especialmente sensível para o eleitorado conservador, que transformou a Corte em um dos principais alvos de críticas nos últimos anos.
Há outro ingrediente que torna o episódio relevante. O próximo presidente da República deverá indicar pelo menos três ministros do Supremo ao longo do mandato. Isso transforma futuras vagas na Corte em um ativo político de enorme valor e, naturalmente, objeto permanente de especulações nos bastidores de Brasília.
Se a conversa existiu ou não, só os protagonistas sabem. Mas o esforço quase simultâneo para sepultar o assunto revela que, neste momento da corrida presidencial, há temas que nenhum dos envolvidos está disposto a deixar ganhar vida própria.