O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (4) exigindo retratação de veículos de imprensa que, segundo ele, distorceram suas declarações sobre o Pix. "Exijo uma retratação. Eu absolutamente jamais disse isso. Desafio a calar minha boca e mostrar um vídeo onde eu tenha dito, porventura, algo nesse sentido", afirmou. Ele classificou as publicações como "patifaria" e "fake news".
A polêmica começou na véspera, quando Eduardo concedeu entrevista ao canal TCM News e comentou as ameaças de tarifação de 25% do governo Trump contra o Brasil. Na ocasião, disse que os EUA "têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como o Zelle" e que isso abriria caminho para o Brasil "ir para a mesa de negociação com bons argumentos".
A fala foi interpretada por veículos como O Globo, BBC Brasil e Revista Fórum como uma sugestão de trocar ou negociar o Pix em favor do modelo americano. O nome de Eduardo foi parar nos assuntos mais comentados da rede X, com críticas de opositores, parlamentares governistas e até de aliados.
No vídeo de resposta, Eduardo recuou e reforçou que o Pix foi criado no governo de seu pai. "Jamais substituiria o Pix. O Pix foi criado pelo meu pai, sem taxas e assim deve permanecer", escreveu. Especialistas ouvidos pela BBC, no entanto, destacaram que a comparação é tecnicamente frágil: o Pix é infraestrutura pública, gratuita e universal, enquanto o Zelle é um serviço privado controlado por grandes bancos americanos.
A declaração ocorre em momento delicado para a família Bolsonaro, que já enfrenta os desdobramentos da delação de Daniel Vorcaro e as investigações da PF sobre os R$ 61 milhões repassados ao filme "Dark Horse".