O adolescente potiguar, de 17 anos, suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa (PB), foi transferido para a capital paraibana nesta terça-feira (28). O jovem se apresentou espontaneamente à Polícia Civil em Caicó (RN), na noite de segunda-feira (27). Segundo o advogado que o representa, ele confessou o crime.
A transferência foi realizada em conjunto pelas polícias civis do Rio Grande do Norte e da Paraíba. O adolescente foi levado por agentes potiguares até um ponto no sertão paraibano, onde foi entregue à equipe da Paraíba, responsável pelo deslocamento até João Pessoa. Como é menor de idade, o caso passou a ser conduzido pela Delegacia da Infância e da Juventude da Paraíba.
Em entrevista coletiva, o delegado Diego Garcia, titular da Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa, informou que o adolescente relatou ter conhecido Washington por meio de um site de relacionamentos. Segundo o depoimento, os dois se encontraram em um hotel na madrugada da última sexta-feira (24).
Ainda conforme o relato, o adolescente afirmou que acreditou que a vítima estivesse gravando ou fotografando o encontro íntimo entre eles. Ele disse que pediu para Washington colocar algemas, alegando tratar-se de um fetiche, e, em seguida, utilizou uma arma de airsoft para exigir o celular da vítima, com o objetivo de verificar se havia imagens registradas.
O investigado declarou que temia a divulgação do suposto material por se apresentar como pastor. De acordo com o delegado, ele afirmou que agiu sozinho e utilizou o cabo de um secador de cabelo do hotel para estrangular a vítima após perceber que ela poderia pedir ajuda. O adolescente alegou que pretendia apenas fazê-la perder a consciência para conseguir deixar o quarto.
Segundo a Polícia Civil, Washington Rodrigo foi encontrado morto com as mãos algemadas para trás, despido, com um fio enrolado no pescoço, um pano na boca e caído no chão do quarto do hotel. Exames do Instituto de Medicina Legal (IML) apontaram que a causa da morte foi asfixia e identificaram sinais de tortura.
O superintendente da Polícia Civil da Paraíba, Cristiano Santana, informou que o adolescente possui 17 registros de atos infracionais no Rio Grande do Norte, incluindo ocorrências análogas a furto qualificado, violência doméstica, extorsão e perseguição (stalking). Conforme a polícia, ele também já cumpriu medida de internação em um centro socioeducativo.
O caso
Washington Rodrigo, de 33 anos, trabalhava como motorista autônomo e morava em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. Ele foi encontrado morto no fim da tarde da sexta-feira (24), dentro de um quarto de hotel na orla de Manaíra.
As investigações apontam que o adolescente utilizou um nome falso para se hospedar no hotel. Washington entrou no local por volta das 4h da manhã, mas não estava registrado como hóspede. O corpo foi localizado horas depois, após uma pessoa relatar ter ouvido barulhos vindos do quarto.
Em depoimento, o adolescente confessou o ato infracional, mas alegou ter agido em legítima defesa e afirmou que era vítima de extorsão. A Polícia Civil informou que a versão apresentada possui contradições e continua sendo analisada.
Familiares relataram que Washington saiu de casa dizendo que faria uma corrida particular para Pipa, em Tibau do Sul (RN), e, desde então, não manteve mais contato.
Horas após o crime, o investigado publicou um vídeo de motivação nas redes sociais. Ele costumava compartilhar mensagens de pregação religiosa e incentivo aos seguidores. Em seus perfis, também se apresentava como palestrante, mentor, escritor, professor universitário, servidor do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) e pastor de uma tradicional igreja evangélica de Caicó. As imagens e publicações foram removidas das plataformas na segunda-feira (27).
Segundo o advogado Ariolan Fernandes, o adolescente confessou o crime e alegou que matou Washington por temer que a relação entre os dois fosse exposta. De acordo com a defesa, eles teriam se conhecido por meio de um site de acompanhantes masculinos e o jovem acreditava que a vítima poderia divulgar imagens do encontro.
A Polícia Civil da Paraíba segue investigando a motivação do crime, a possível participação de outras pessoas e todas as circunstâncias do caso.
Veja no vídeo abaixo:
Ver essa foto no Instagram