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Diógenes Dantas


Cadu ensaia discurso para conquistar apoios no centro democrático

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Quando aceitou o convite da governadora Fátima Bezerra para disputar o Governo do Estado, Cadu Xavier tinha, inicialmente, dois grandes desafios: defender o legado da gestão petista e conquistar o apoio do PT, com todas as suas tendências, além dos partidos aliados à esquerda.

O ex-secretário da Fazenda cumpriu as duas tarefas com relativa folga.

Superada essa etapa, surgiu um desafio ainda maior: tornar-se conhecido do eleitorado potiguar.

Quem danado é Cadu na fila do pão?

Os estrategistas de sua pré-campanha logo encontraram a resposta:

— Cadu de Lula.

E Fátima?

A governadora precisou ser colocada um pouco de lado. Cadu só terá chances reais de crescer eleitoralmente — e, talvez, vencer a disputa — se sua imagem estiver mais associada à do presidente Lula do que à da atual governadora.

Fátima enfrenta o desgaste natural de dois mandatos — a conhecida "fadiga de material" — e índices de desaprovação que, em algumas regiões do Estado, chegam a 60%. Uma rejeição que pode ser fatal para o candidato governista.

Cadu reconhece Fátima como sua principal referência política, mas faz questão de afirmar que sua candidatura não representa uma simples continuidade da atual gestão.

Diante dos elevados índices de desaprovação da governadora, ele diz que pretende apresentar as entregas dos últimos anos, ao mesmo tempo em que defenderá um projeto voltado à ampliação dos investimentos, ao desenvolvimento econômico e à melhoria dos serviços públicos.

O ex-secretário tem ressaltado que possui uma trajetória política diferente da de Fátima Bezerra e uma identidade própria, embora a considere sua principal liderança e inspiração na vida pública.

Segundo Cadu, essa diferença também se refletirá nas prioridades e na forma de governar. Seu projeto, afirma, será de avanço, e não de mera continuidade da atual gestão, com a repetição das mesmas políticas e ações.

Quando o assunto é Fátima Bezerra, Cadu pisa em ovos. Deve fidelidade e gratidão à governadora.

Afinal, o ex-secretário só chegou à condição de candidato ao Governo porque Fátima Bezerra enxergou nele os atributos necessários para sucedê-la e defender o legado de sua administração.

Ao procurar marcar diferenças em relação à governadora, Cadu faz um movimento calculado para ampliar seu alcance eleitoral e dialogar com segmentos que vão além do campo progressista.

O petista mira as franjas do centro democrático.

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