O candidato do PT ao Governo do Estado, Cadu Xavier — agora autorizado pela Justiça Eleitoral a ser Cadu de Lula — precisa reforçar seu discurso anticorrupção.
Cadu tem repetido por onde anda — em debates, sabatinas e entrevistas — que tem as “mãos limpas”. É uma forma de marcar diferença em relação aos principais adversários, especialmente Allyson Bezerra, do União Brasil, investigado pela Polícia Federal na Operação Mederi.
“A PF nunca bateu à minha porta e nunca baterá”, chegou a dizer o petista.
O problema é que Cadu resolveu construir sua identidade eleitoral sobre dois pilares: as “mãos limpas” e Lula.
E, neste momento da campanha eleitoral, esses dois pilares começam a competir entre si.
Vincular o nome ao presidente da República, figura popular no Nordeste e principal cabo eleitoral do PT, tem vantagens óbvias. Mas também significa importar para a própria candidatura os desgastes que atingem Lula.
E é aí que entra o caso Lulinha.
O filho do presidente está sob suspeita de tráfico de influência envolvendo negócios de terceiros e relações com o governo do pai. O episódio ganhou força no noticiário e acrescentou um problema à campanha de reeleição de Lula.
Quanto mais Cadu reforça o vínculo — no nome de urna, no “time do presidente”, no número 13 e na presença de Lula na campanha —, mais fica exposto aos desgastes de seu padrinho político.
É o paradoxo de Cadu de Lula.
O candidato quer usar a popularidade do presidente para crescer, ao mesmo tempo em que tenta fazer do discurso anticorrupção uma marca própria.
Isso não significa colocar no mesmo plano jurídico o caso que envolve Allyson Bezerra e o episódio Lulinha.
São situações distintas.
Allyson é investigado diretamente, como agente político, em um caso envolvendo suspeitas sobre recursos da saúde pública durante sua gestão. Lulinha é investigado por suspeita de tráfico de influência a partir de negócios de terceiros, sem que Lula seja alvo direto do inquérito.
E vale registrar: nenhum dos casos, até agora, resultou em condenação.
Mas eleição não se disputa apenas no terreno jurídico.
A partir de agora, Cadu terá de conviver também com o outro lado da escolha que fez.
Ao colocar Lula no próprio nome, não recebe apenas o bônus da popularidade do presidente.
Leva junto o ônus de seus desgastes.
E, para um candidato que escolheu as “mãos limpas” como uma de suas principais marcas eleitorais, essa conta pode ficar mais difícil de fechar na briga pelo voto do eleitor potiguar.