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Diógenes Dantas


O "vendedor de sonhos" na eleição presidencial

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Só se fala em Augusto Cury.

Em poucos dias, o candidato do Avante deixou de ser uma figura quase lateral na eleição presidencial para se transformar no personagem da vez.

E os números ajudam a explicar o barulho.

Na pesquisa Nexus/BTG Pactual, Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana.

Na AtlasIntel, saiu de 1,6% em julho para 7,8%.

É um crescimento rápido demais para ser ignorado.

A onda Cury também chegou à internet.

Depois do debate, foi o candidato que mais ganhou seguidores no Instagram: sua base cresceu quase 20%, passando de 8,3 milhões para quase 10 milhões.

No Google, as buscas pelo nome de Augusto Cury aumentaram 900% na semana seguinte.

É justamente aí que começa a controvérsia.

Especialistas levantam dúvidas sobre a organicidade desse crescimento nas plataformas digitais.

Se houver comprovação de impulsionamento irregular, uso de robôs ou qualquer outro mecanismo proibido pela legislação eleitoral, Cury poderá ter problemas com a Justiça Eleitoral.

O candidato nega qualquer irregularidade.

Guardadas as diferenças, o fenômeno lembra dois personagens recentes da política brasileira.

Jair Bolsonaro, em 2018, e Pablo Marçal, na eleição municipal de São Paulo em 2024.

Candidaturas inicialmente tratadas como sem viabilidade, subestimadas por políticos e comentaristas, mas que cresceram justamente enquanto muita gente dizia que não cresceriam.

No caso de Augusto Cury, há ainda uma teoria circulando nos bastidores da campanha.

Há quem diga que Pablo Marçal estaria ajudando o candidato do Avante a crescer para, mais adiante, levá-lo a apoiar Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno.

Por enquanto, é especulação.

O fato concreto é que Cury cresce mesmo depois de uma participação ruim na sabatina do Jornal Nacional.

Suas propostas foram criticadas pela falta de detalhamento e, em alguns casos, pelo caráter pouco convencional.

Cury falou, por exemplo, em usar drones no combate ao feminicídio e em colocar influenciadores digitais em consulados e embaixadas.

Também enfrenta críticas por não apresentar um programa de governo considerado factível, não ter um grupo político estruturado e não contar com apoiadores de peso.

Nada disso, até agora, impediu seu crescimento.

Mas eleição também produz bolhas.

E algumas estouram rapidamente.

Por isso, as novas rodadas da Quaest, na quarta-feira, e do Datafolha, na quinta, serão importantes para responder à pergunta que começa a circular na campanha:

Augusto Cury virou uma onda ou é apenas espuma?

Uma coisa, porém, já dá para dizer.

Em poucos dias de campanha, Augusto Cury conseguiu aquilo que Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos ainda não conseguiram: ocupar o espaço de terceira via na eleição presidencial.

Se conseguirá transformar esse crescimento em algo consistente e ameaçar os dois líderes da disputa — Lula e Flávio Bolsonaro —, isso são outros quinhentos.

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