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Diógenes Dantas


Me engana que eu gosto

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Finalmente, Michelle Bolsonaro se reuniu cara a cara com o presidenciável Flávio Bolsonaro.

Os dois gravaram uma peça de propaganda na sede do PL, em Brasília.

Chegaram a orar ao lado de aliados, numa cena que até Deus duvida da sinceridade dos presentes.

Michelle jura que colocou uma pedra na treta que teve com o enteado:

— Qual família não tem problema? — provocou aos jornalistas.

Indagada sobre os outros dois filhos de Bolsonaro — Carlos e Eduardo — que querem vê-la pelas costas, Michelle saiu-se com essa:

— Eu não vou polarizar. Um dia de cada vez. A gente está se ajustando. Mas eu não guardo mágoa de ninguém — disse, incomodada.

Michelle já avisou que não poderá viajar com Flávio em campanha pelo país porque precisa cuidar de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.

Mas garantiu que participará das ações nas redes sociais.

Olha, muita gente se pergunta por que Michelle resolveu recuar da postura adotada naquele vídeo em que detonou Flávio, acusando-o de maltratá-la na relação familiar e de ignorá-la na atuação política.

Eu tenho pelo menos três palpites:

Primeiro, Michelle precisava confirmar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, e o PL exigia uma trégua na família.

Segundo, Michelle não pretende levar sozinha a culpa por uma eventual derrota do enteado. Ela tem planos para as eleições de 2030.

Por último, sentada numa cadeira do Senado, Michelle pretende se posicionar para herdar boa parte do espólio político do marido, apostando na liderança entre os segmentos feminino e evangélico.

A meu ver, a ex-primeira-dama vai fingir que sua briga com os filhos de Bolsonaro está superada.

Só que ninguém, em sã consciência, acredita nisso.

Nem eles.

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