O Clássico-Rei entre América e ABC, neste sábado (24), às 16h, na Arena das Dunas, chega carregado de histórias cruzadas — e com pesos muito distintos para as duas torcidas.
Para o ABC Futebol Clube, o clássico já tem um sabor especial de oportunidade quase histórica. O clube alvinegro sofre com um jejum de triunfos em Natal contra o rival — a última vitória do ABC sobre o América na Arena das Dunas foi em 02 de abril de 2023, por 2 a 1. Embora o retrospecto geral esteja historicamente equilibrado, com 10 vitórias para cada time e oito empates no estádio, o alvinegro ainda quer quebrar essa sequência negativa.
Além disso, o ABC vive um momento de reconstrução fora do clássico. Depois de uma campanha abaixo do esperado em 2025 na Série C do Campeonato Brasileiro, o clube acabou sendo rebaixado para a Série D, um baque enorme para a torcida e para a gestão, que precisava de outro tipo de narrativa neste início de temporada.
E talvez não exista personagem mais ligado a essa possibilidade de redenção do que Wallyson — ídolo e atacante experiente que está a apenas um gol de alcançar o centésimo com a camisa abecedista. O gol número 100 poderia vir justamente diante do maior rival e se transformar em símbolo de um novo ciclo.
Do outro lado, o América chega embalado e com peso de favorito. Atual tricampeão potiguar (2023, 2024 e 2025), o alvirrubro busca o quarto título seguido, algo que ampliaria ainda mais sua hegemonia recente no Estadual. O Mecão também aparece em boa fase no Potiguar de 2026, com o ataque entre os melhores nas primeiras rodadas da competição.
Apesar dessa dominância estadual, o América vive uma sina de quase-vitórias no cenário nacional: apesar da consistência no Estadual, o clube ainda “bate na trave” para sair da Série D do Brasileiro, o que cria pressão e expectativa de que resultados emblemáticos — como uma vitória no clássico — possam ser combustível para a virada de chave na temporada.
A disputa entre essas duas narrativas — a redenção do ABC post-Série C vs. a hegemonia estadual do América em busca de mais um título — é o que dá outro significado ao clássico de sábado. O triunfo interessa ao ABC como ponto de virada de moral e reação à crise, e ao América para consolidar seu domínio e reforçar confiança rumo aos desafios maiores do ano.
Tecnicamente, o jogo também promete equilíbrio. Historicamente, o clássico é um dos confrontos mais tradicionais e divididos do futebol potiguar, com mais de 550 partidas ao longo dos mais de 100 anos de rivalidade e uma vantagem mínima do ABC em números gerais — 195 vitórias contra 184 do América, com 181 empates.
No fim, o que mais interessa neste sábado, mais do que três pontos na tabela, é quem vai levar a moral, quem vai definir o tom da temporada e quem vai alimentar a confiança das suas torcidas. Seja quebrando jejum, seja estendendo uma era de sucesso, o clássico carrega narrativa — e emoção — que ultrapassa o placar.