Lançado pelo Democracia Cristã como pré-candidato à Presidência da República, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa estreou oficialmente nas pesquisas eleitorais, e o impacto foi bem mais discreto do que o simbolismo do anúncio sugeria.
Na primeira aparição em um levantamento nacional, Barbosa marcou apenas 2% das intenções de voto no cenário estimulado da pesquisa BTG/Nexus. Para alguém que já foi tratado como possível “fenômeno eleitoral” desde os tempos do julgamento do mensalão, o desempenho acabou servindo mais como um banho de água fria do que como largada competitiva.
Relator da Ação Penal 470 e um dos nomes mais conhecidos do Judiciário nas últimas décadas, Joaquim Barbosa deixou o STF de forma antecipada em 2014. Desde então, seu nome ressurge de tempos em tempos no debate político nacional, quase sempre cercado de expectativa, e quase nunca acompanhado de estrutura partidária ou capilaridade eleitoral capazes de transformar notoriedade em voto.
O levantamento também reforça uma tendência já apontada por pesquisas do Datafolha e da AtlasIntel: o desgaste provocado pela divulgação das mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro atingiu a imagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas ainda longe de comprometer sua posição como principal nome da direita na corrida presidencial.
No principal cenário testado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Mais atrás surgem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com 5%; o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, com 4%; o fundador do MBL, Renan Santos, com 3%; Joaquim Barbosa, com 2%; o escritor Augusto Cury, com 1%; e o ex-deputado Cabo Daciolo, também com 1%.
Se há algum dado minimamente confortável para Joaquim Barbosa, ele aparece na rejeição. Apenas 30% dos entrevistados afirmaram que não votariam nele “de jeito nenhum”. O detalhe é que o índice baixo parece ter menos relação com entusiasmo eleitoral e mais com desconhecimento: 48% disseram simplesmente não conhecer o ex-ministro.
O fato é que, desde a sua saída do STF, Barbosa optou por priorizar sua vida pessoal e profissional, na advocacia, se afastando de compromissos públicos ou de qualquer coisa que pudesse lembrar trabalho político. Uma escolha que precisa ser respeitada. Agora, os números frios das pesquisas expõem o resultado dessa opção.
A leitura a ser feita é que o Brasil esqueceu quem foi Joaquim Barbosa. Parece que o tempo do homem que virou símbolo de combate à corrupção passou.