Apenas cinco deputados estaduais do Rio Grande do Norte decidiram não assinar o requerimento que pede à governadora Fátima Bezerra (PT) o encaminhamento, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de uma solicitação para que facções criminosas sejam classificadas como organizações terroristas no Brasil. O documento foi apresentado na Assembleia Legislativa pelo deputado estadual Coronel Azevedo (PL) e recebeu apoio de outros 18 parlamentares da Casa.
Ficaram de fora apenas os deputados Divaneide Basílio (PT), Isolda Dantas (PT), Dr. Bernardo (PV), Eudiane Macedo (PV) e Francisco do PT, líder do Governo Fátima na Assembleia. Todos integram a base aliada da governadora e devem disputar a reeleição em 2026 pela federação da esquerda, formada por PT, PV e PCdoB.
Nos bastidores de Brasília, o tema é tratado com desconforto pelo Palácio do Planalto. O presidente Lula tem evitado estimular o debate sobre a classificação de facções como grupos terroristas, avaliação compartilhada por setores da esquerda que consideram a proposta politicamente desgastante, especialmente em período pré-eleitoral.
Já os parlamentares que apoiaram a iniciativa foram Adjuto Dias (PL), Dr. Kerginaldo (PL), Cristiane Dantas (PSDB), Galeno Torquato (União), Vivaldo Costa (PV), Gustavo Carvalho (PL), Hermano Morais (MDB), Ivanilson Oliveira (PV), José Dias (PL), Kleber Rodrigues (PP), Luiz Eduardo (PL), Neilton Diógenes (PP), Nelter Queiroz (União), Taveira Júnior (PSDB), Terezinha Maia (PL), Tomba Farias (PL), Ubaldo Fernandes (PV) e Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia.
No requerimento, Coronel Azevedo argumenta que as facções criminosas já atuam com métodos típicos de organizações terroristas, promovendo intimidação coletiva, execuções e domínio territorial. O documento cita episódios recentes registrados no país, como o assassinato de uma cozinheira no Ceará após ela se recusar a envenenar policiais a mando de criminosos; a morte de três técnicos de internet em Salvador, em represália contra uma empresa de telefonia; e ainda a atuação de facções em bairros de Natal, onde criminosos passaram a restringir o fornecimento de internet por empresas privadas.
“Exemplos recentes mostram que as facções agem para intimidar, espalhar o terror e assassinar quando são contrariadas”, destaca trecho do requerimento apresentado na Assembleia Legislativa do RN.