Política tem dessas ironias. Há momentos em que a principal tarefa de uma campanha deixa de ser conquistar votos e passa a ser conter danos.
É exatamente esse o cenário enfrentado pelo senador Rogério Marinho. Coordenador-geral da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, o líder da oposição no Senado viu o projeto eleitoral entrar numa zona de turbulência depois que vieram a público informações sobre a relação entre o senador fluminense e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, investigado pela Polícia Federal em um dos casos financeiros de maior repercussão do país.
A admissão de que Flávio Bolsonaro pediu e recebeu parte dos mais de R$ 130 milhões repassados por Daniel Vorcaro retirou o caso da esfera estritamente financeira e o colocou no centro do debate político.
Desde então, Rogério tem atuado em duas frentes simultâneas. A primeira é a comunicação. O anúncio da chegada do publicitário Eduardo Fischer para definir as diretrizes estratégicas da campanha e do marqueteiro Alexandre Oltramari para coordenar a comunicação não parece ser mera coincidência de calendário. Soa como uma tentativa de reorganizar a narrativa antes que ela seja definitivamente capturada pelos adversários.
A segunda frente está no campo jurídico e institucional. Marinho foi ao STF pedir a investigação do vazamento de informações sigilosas do inquérito que envolve mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O senador sustenta que houve divulgação seletiva de dados protegidos por segredo de Justiça e cobra a identificação dos responsáveis pelo acesso e eventual vazamento do material.
O movimento é compreensível. Quando o conteúdo é politicamente devastador, a estratégia passa a questionar não apenas a mensagem, mas também o mensageiro e o caminho percorrido pela informação até chegar ao público.
O problema é que campanhas presidenciais raramente conseguem escolher os temas que gostariam de discutir. Em geral, são obrigadas a responder aos temas que surgem.
E hoje o assunto não é economia, segurança pública ou projeto de governo.
O assunto é Banco Master.
Por isso, a contratação de novos estrategistas de comunicação e a ofensiva jurídica contra os vazamentos parecem menos um movimento de expansão eleitoral e mais uma clássica operação de controle de danos.
A questão que permanece em aberto é se haverá tempo suficiente para mudar o foco do debate antes que a crise deixe de ser um episódio e passe a ser uma marca permanente da pré-campanha. Afinal, marketing ajuda a administrar uma tempestade. Mas não costuma ser capaz de impedir que ela exista.