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Diógenes Dantas


Zenaide caminha na corda bamba eleitoral

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O eleitor potiguar está careca de saber: em 2026, serão dois votos para o Senado. E, pelo desenho atual da disputa, uma das vagas parece ter dono.

O senador Styvenson Valentim lidera com folga todos os cenários apresentados até agora nas pesquisas de intenção de voto. A reeleição do capitão do Podemos aparece, hoje, como o cenário mais provável da disputa.

A guerra política verdadeira parece concentrada na segunda cadeira.

E é exatamente aí que entra a senadora Zenaide Maia.

A parlamentar virou o principal alvo dos adversários. Samanda Alves, Coronel Hélio, Rafael Motta, Sandro Pimentel, Flávio Rocha, Rosália Fernandes e Luciana Lima enxergam nela a candidatura a ser batida.

Zenaide, porém, chega à disputa carregando uma equação política delicada.

Conseguiu sobreviver dentro da aliança com o União Brasil e ainda deixou pelo caminho um antigo aliado: Carlos Eduardo Alves, que acabou sem o apoio financeiro do partido para disputar a segunda vaga ao Senado.

Mas o maior desafio da senadora talvez esteja longe das articulações locais.

O PSD dela tem candidato próprio à Presidência da República: Ronaldo Caiado. Só que Zenaide já avisou, sem rodeios, que seguirá votando em Luiz Inácio Lula da Silva.

Vice-líder do governo no Senado, ela afirma que fidelidade partidária não está acima das suas convicções políticas. E lembra, inclusive, que já contrariou seu partido no passado ao votar contra o impeachment de Dilma Rousseff. Na época, a doutora era deputada federal pelo PR, antigo Partido da República — hoje Partido Liberal.

No Rio Grande do Norte, a contradição ganha contornos ainda mais complexos.

Zenaide apoia a pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado, enquanto o PT aposta em Cadu Xavier.

Na prática, isso significa que a senadora deverá pedir votos para Lula sem dividir o mesmo palanque estadual do PT.

É uma engenharia política complicada.

Zenaide tenta ocupar simultaneamente espaços da esquerda lulista e de uma aliança estadual de centro-direita. Precisa manter o apoio de Lula sem romper com Allyson. Precisa preservar a identidade governista sem se afastar de um eleitorado mais conservador que pode acompanhá-la numa chapa híbrida.

Vai se equilibrar numa corda bamba eleitoral.

E qualquer tropeço pode custar caro numa disputa em que o segundo voto para o Senado tende a ser o mais imprevisível da eleição potiguar.

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