Não foi a doçura da cantiga infantil. Foi crítica dura, direta, contra parlamentares do PT.
Ontem, no Contraponto, da 96 FM, o prefeito Paulinho Freire chamou integrantes do partido de “sapos cururus” por aparecerem na cidade apenas em momentos de chuva intensa.
— Ficam no pé das lagoas para ver se vai transbordar — disparou o gestor.
O tiro tinha alvo certo:
— A Natália Bonavides é a principal. Ela desaparece de Natal. Só aparece aqui quando tem alguma desgraça — disse Paulinho, ao questionar a ausência de emendas da parlamentar para obras de infraestrutura na capital.
O prefeito também criticou a atuação do vereador Daniel Valença, ligado a Natália, que, segundo ele, “não tem trabalho nenhum”.
— Eles não gostam de Natal nem do Rio Grande do Norte. Gostam da ideologia deles — afirmou.
Paulinho Freire só reservou palavras mais amenas para a vereadora Samanda Alves, presidente estadual do PT e pré-candidata ao Senado, com quem ensaia uma relação institucional. Os dois se reuniram nesta semana.
— A vereadora Samanda tem muita influência no governo federal. Ela se preocupou em ir a Brasília e ver o que estava pendente. Ficou de destravar algumas coisas — disse, esperançoso.
Resta saber se o “encantamento” de Paulinho por Samanda vai repetir a velha fábula dos Irmãos Grimm. Nela, o príncipe vira sapo.
Por via das dúvidas, é bom o prefeito manter distância das lagoas.
Caos financeiro – Walter Alves detalhou ontem os motivos do “não” definitivo para assumir o Governo do Rio Grande do Norte. Pesou o diagnóstico da Secretaria do Tesouro Nacional sobre a situação fiscal do Estado. Em entrevista ao Jornal das 6, da 96 FM, afirmou que o RN fechou 2025 com dívida de R$ 3 bilhões e sem fôlego para quitá-la. Pelas contas do Ministério da Fazenda, o Estado tem a segunda pior situação fiscal do país.
Herança maldita – Além do rombo, segundo Walter, o governo estourou o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal com a folha. O gasto com pessoal chegou a 56,41%, acima do teto de 49%. O vice-governador disse que não pretendia herdar uma bomba administrativa: “Se eu assumisse, seria conivente”.
Rompimento – A relação com o PT ruiu de vez na transição. Walter afirma que houve omissão sobre uma dívida de R$ 360 milhões em consignados de servidores. Disse preferir preservar a “ficha limpa” e a história do pai, descartando assumir um mandato de oito meses sob risco de responder por problemas alheios.
Foco na Assembleia – Fora do Executivo, Walter mira agora uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. Garante que o MDB segue unido, apesar de tentativas de “sabotagem” na nominata. Segundo ele, o PT tentou afastá-lo do comando do partido no Estado.
Direita, volver!
O PL promove uma intensa mobilização em Mossoró neste fim de semana, com presenças confirmadas de Rogério Marinho, Álvaro Dias, Babá Pereira e Coronel Hélio. Nesta sexta-feira à noite, o grupo se reúne com representantes do setor produtivo, no Requinte Buffet. No sábado, a agenda segue com um ato político no restaurante Tenda, reunindo pré-candidatos da sigla aos parlamentos.
Canal aberto
Apesar da ansiedade no PT, o PSDB não tem pressa para definir o jogo da sucessão da governadora Fátima Bezerra. Em reunião na manhã de ontem, lideranças da sigla informaram que os deputados estaduais Ezequiel Ferreira de Souza, Cristiane Dantas e Taveira Júnior seguem “ouvindo as bases”. Por ora, o canal entre Fátima e Ezequiel permanece aberto.
Impasse superado
Os tucanos avançaram ontem na montagem das chapas proporcionais. Para a Assembleia Legislativa, o grupo já conta com 25 nomes prontos para a disputa. Além dos atuais deputados — Ezequiel, Taveira e Cristiane — a lista inclui Leo Souza, Flávio de Beroi e Gustavo Soares. O impasse envolvendo Gustavo, antes vetado por Taveira Júnior, foi resolvido, e o ex-prefeito de Assu está confirmado na nominata.
Pré-lista
Na corrida por vagas na Câmara dos Deputados, o PSDB trabalha com cerca de 12 nomes competitivos. O anúncio oficial deve ocorrer em breve. A legenda prepara, nos próximos dias, um encontro para reunir os pré-candidatos.
Dedo apontado
Integrantes e aliados do governo Lula tentaram, ontem, associar o Caso Master ao senador Flávio Bolsonaro, após a operação da PF que atingiu o senador Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Na outra ponta, Flávio classificou as informações como graves e defendeu “ampla apuração”. Em nota, sem citar Ciro nominalmente, disse acompanhar o caso com atenção.