Logo 96FM

som+conteúdo

1820x400px.gif

Ciro Marques


[VIDEO] Senador cita histórico "político" de indicado de Lula para CNJ

MAGNO MALTA | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O Senado Federal aprovou na quarta-feira (10) a indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para o cargo de corregedor nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo biênio 2026-2028. O placar foi de 53 votos a favor e 16 contrários. Mas antes que os votos fossem contados, o senador Magno Malta (PL-ES) protagonizou um dos discursos mais inflamados da sessão, transformando o que seria um registro de voto em um inventário de acusações contra o indicado do governo Lula.

"Ele não tem os predicados para tal, porque a sua história não permite que alguém seja o cabeça de uma comissão de ética", disse Malta, direto ao ponto, no início de sua fala. O senador, conhecido pela oratória sem rodeios, não poupou adjetivos nem fez concessões ao clima de aprovação que dominava o plenário.

"Missão dada, missão cumprida"

O centro da crítica de Malta foi uma frase atribuída a Benedito Gonçalves durante o processo de inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Segundo o senador, vídeos registraram o então ministro do TSE declarando, com "alegria e regozijo da alma", ter cumprido uma missão após conduzir o processo que tornou Bolsonaro inelegível.

"Qualquer pessoa que tem o vídeo, o vídeo o desmente. Era uma alegria, um regozijo da alma dele de ter sido convidado pelo então presidente do Tribunal Eleitoral para conduzir um presidente da República. Ele estava emocionado. Então emocionado. Ele só não viu que o microfone estava aberto", afirmou Malta.

O senador disse ter questionado Gonçalves sobre o episódio durante a sabatina na CCJ, em 20 de maio, mas considerou as respostas evasivas. "Conversa de bêbado para delegado, porque é assim sempre que acontece", resumiu, usando uma expressão popular para descrever o que classificou como respostas sem substância.

Para Malta, a atuação de Benedito no TSE não foi técnica, mas ideológica. "O fundamento do voto deles não tem qualquer amparo jurídico. Simplesmente um espectro político que resolveu colocar no poder um espectro político, e qualquer pessoa de direita, na pessoa de Jair Bolsonaro, maior líder que essa nação já viu, pagou o preço do comportamento do senhor Benedito."

O caso Banco Master e o fórum em Londres

Malta também trouxe à tona o nome do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição que virou tema de escândalo político e financeiro no Brasil. Segundo o senador, Benedito Gonçalves participou de um fórum em Londres financiado por Vorcaro e, por conta do envolvimento, precisou se declarar impedido de votar em deliberações do CNJ relacionadas ao caso.

"Ele se colocou como impedido para poder participar de uma votação, visto que realmente estava enrolado nessa questão. Ele estava no fórum em Londres, financiado pelo playboy que destruiu o sistema financeiro brasileiro, que invadiu até o Poder Executivo com reuniões cabulosas com o seu presidente, uma degustação de milhões de reais custeada por Vocaro", disparou.

Malta disse que, na sabatina, Benedito tampouco respondeu a essas questões de forma satisfatória.

Quem vai corrigir os corruptores?

A parte mais contundente do discurso foi reservada para o papel institucional do cargo em disputa. Malta lembrou que o corregedor do CNJ é justamente a autoridade responsável por investigar e punir juízes que cometem abusos, e questionou a credibilidade de Benedito para exercer essa função.

"Sabe para que ele está sendo votado aqui? Ele está sendo votado aqui para ser o líder, o cabeça, o corregedor da comissão de ética. Imagine que com esse histórico, com esse passado, quanto juiz bandido que está com o nome hoje no CNJ, denunciado. Juiz que soltou pedófilo."

Como exemplo recente, Malta citou o caso de uma juíza que, na semana anterior à votação, concedeu perdão judicial a uma mãe condenada por ter ajudado o marido a matar o próprio filho, o caso do padrasto Jairinho. "Puramente ideológico, por uma questão de gênero", afirmou o senador, indignado. "Esse tipo de gente, se ele for aprovado, vai cair na mão do senhor Benedito. E ele não tem credibilidade para essa posição."

 

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado