A criança de 10 anos que foi internada por suspeita de contaminação após uso de um detergente em Natal, no Rio Grande do Norte, recebeu alta médica nesta quarta-feira (20). Ela havia sido atendida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Pajuçara e foi transferida para o Hospital Infantil Varela Santiago. Com informações da CNN.
De acordo com a família, apesar da liberação, o resultado dos exames ainda não saiu. O caso é investigado pela vigilância epidemiológica.
No dia em que a criança foi atendida na UPA, a família apresentou o frasco de um detergente da Ypê na unidade e mostrou que o produto era de lote com final 1.
Os lotes com numeração final 1 das categorias lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê tiveram a fabricação, comercialização, distribuição e venda suspensas pela Anvisa.
A determinação foi tomada após inspeção que identificou irregularidades em etapas consideradas críticas da produção, que podem levar à contaminação microbiológica dos produtos. Em reunião, a Diretoria Colegiada da Anvisa manteve a decisão, com exceção do recolhimento dos itens.
Um familiar da criança contou à reportagem que a menor de idade entrou em contato com o produto no dia 6 de maio. No mesmo dia, na escola, ela apresentou manchas atrás da orelha e em uma das mãos, precisando ser levada à UPA.
"Como tinha saído uma nota de possível bactéria no sabão da Ypê, associamos uma coisa com a outra", disse o parente. Ele ressalta que não afirma que a contaminação foi por causa do produto da marca e que aguarda os exames médicos.
Em nota, a Sesap afirmou que a fiscalização dos produtos com suspeita de contaminação na capital do Rio Grande do Norte é da Vigilância Sanitária Municipal e os demais municípios ficam sob a responsabilidade da Suvisa (Sistema de Informação em Vigilância Sanitária).
A Suvisa informou que não foi realizada nenhuma apreensão de produtos do lote informado pela Anvisa. A CNN Brasil solicitou um posicionamento a Ypê, que informou que ainda não vai se posicionar sobre o caso.
Entenda a suspensão
Segundo a Anvisa, a inspeção, realizada entre os dias 27 e 30 de abril deste ano, em ação conjunta com o CVS-SP (Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo) e a Vigilância Sanitária de Amparo, detectou 76 irregularidades na empresa.
As irregularidades identificadas incluem falhas nos sistemas de controle de qualidade e garantia sanitária. A agência afirmou que os problemas representam descumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação e, por isso, podem levar à contaminação dos produtos.
A Anvisa orienta consumidores que possuem produtos dos lotes afetados a interromper imediatamente o uso e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para orientações sobre recolhimento ou substituição dos itens.