A passagem de Luiz Inácio Lula da Silva pelo Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (2) foi rápida, mas suficientemente intensa para produzir declarações polêmicas, gafes, constrangimentos e alguns esquecimentos convenientes.
Na agenda realizada em Luís Gomes, durante a entrega do Túnel Major Sales, o presidente fez referência em tom jocoso às restrições impostas pela legislação eleitoral, que proíbe agentes públicos de participarem de inaugurações de obras nos três meses que antecedem o pleito.
Lula explicou que, a partir do prazo legal, não poderia mais discursar ou inaugurar obras, restando-lhe apenas visitar empreendimentos em silêncio.
— Gente, é o seguinte, eu estou vindo aqui hoje porque eu só posso inaugurar obra até o dia 4 de julho. A partir de amanhã [sic]... Não posso inaugurar mais obra por causa das eleições, mas posso visitar. Então eu vou voltar para ver a faculdade de medicina, outras obras. Mas é fazer visita sem falar nada. Só visitando, assim... Papagaiada desgraçada.
A declaração arrancou risos da plateia e rapidamente se espalhou pelas redes sociais.
Embora se tratasse de uma agenda institucional da Presidência da República, com transmissão oficial do Canal Gov, a governadora Fátima Bezerra aproveitou o momento para apresentar o elenco eleitoral petista ao presidente.
Saudou os pré-candidatos ao Senado, Rafael Motta e Samanda Alves, e fez questão de destacar o ex-secretário da Fazenda e pré-candidato ao Governo do Estado, Cadu Xavier.
Pouco depois veio a gafe do dia.
Ao ouvir a plateia gritar o nome de Cadu, Lula respondeu que não o conhecia. A cena produziu desconforto entre aliados que trabalham justamente para nacionalizar a candidatura petista no Estado e vender ao eleitor a ideia de um "Cadu de Lula".
O episódio evidenciou uma dificuldade evidente: fora das fronteiras potiguares, o ex-secretário ainda está longe de ser um nome conhecido, inclusive para quem deveria ser seu principal cabo eleitoral.
Mas o momento de maior repercussão da visita viria em seguida.
Ao tomar conhecimento que Rafael Motta, pré-candidato ao Senado pelo PDT, estava fora do palco principal da solenidade, Lula interrompeu o protocolo para fazer uma cobrança pública aos organizadores do evento.
— Eu queria fazer uma reclamação pública aqui aos organizadores. Por que o Rafael Motta não está aqui no palco e está lá embaixo? O Rafael é nosso aliado e tem que estar aqui em cima, não pode ficar escondido lá no meio do povo como se não fizesse parte do nosso projeto.
O presidente exigiu que o pedetista subisse imediatamente ao palco.
A cena escancarou as contradições das alianças locais. Enquanto Brasília trabalha para manter unido o amplo arco de apoios de Lula no Rio Grande do Norte, setores do PT potiguar parecem ter dificuldades em dividir o mesmo palanque com determinados aliados.
Foi, de longe, o momento mais comentado da visita nas redes sociais.
O PT, quando quer, esconde os aliados.
Um Rafael Motta visivelmente sem graça subiu ao palco para, enfim, integrar o "time de Lula".