A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva, passará a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança foi oficializada nesta terça-feira (12) em publicação da revista científica The Lancet e marca um consenso internacional sobre a necessidade de atualizar o termo utilizado há décadas. Com informações do R7.
A alteração foi definida após um amplo processo global que reuniu 56 organizações científicas, clínicas e representantes de pacientes de vários países, além de mais de 14 mil respostas coletadas em pesquisas internacionais. O Brasil participou da discussão por meio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Segundo especialistas, o antigo nome gerava confusão ao sugerir que a condição fosse causada por “cistos” nos ovários. Na prática, os exames costumam identificar pequenos folículos interrompidos no desenvolvimento, e não cistos patológicos.
De acordo com o endocrinologista Alexandre Hohl, diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da SBEM, a antiga nomenclatura limitava a compreensão da doença.
“Isso gera confusão em pacientes e médicos, atrasa o diagnóstico e reduz a compreensão da síndrome como uma doença sistêmica”, explicou.
A nova denominação busca representar melhor a complexidade da condição, que envolve alterações hormonais, metabólicas e até psicológicas. A SOMP está associada à resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2, colesterol alto, pressão elevada e maior risco cardiovascular.
Entre os sintomas mais comuns estão irregularidade menstrual, dificuldade para engravidar, acne, aumento de pelos no rosto e corpo, queda de cabelo e ganho de peso. Estudos também apontam maior incidência de ansiedade e depressão entre pacientes diagnosticadas com a síndrome.
Apesar da mudança no nome, os critérios de diagnóstico permanecem os mesmos. O tratamento também continua baseado em acompanhamento individualizado, incluindo mudanças no estilo de vida, controle alimentar, atividade física e uso de medicamentos quando necessário.
A transição para a nova nomenclatura deverá ocorrer de forma gradual nos próximos três anos, incluindo atualização de prontuários, materiais educativos e classificações internacionais de doenças.