A entrevista de Odon Júnior ao Contraponto revelou mais do que simples preferências partidárias. Mostrou que, neste momento, a principal preocupação do PT não é apenas consolidar a candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado. É fechar a chapa.
E a vaga de vice-governador virou a peça mais importante desse quebra-cabeça.
Ao defender que a federação liderada pelo PT deseja uma mulher na composição majoritária, Odon praticamente confirmou o que já circula nos bastidores há meses: a prioridade do governismo é atrair o PSDB de Ezequiel Ferreira. E, dentro dessa lógica, o nome de Milena Galvão surge como solução quase natural.
Não se trata apenas de uma questão de gênero. Trata-se de política.
Milena representa a porta de entrada para um grupo que possui estrutura eleitoral, capilaridade municipal e presença na Assembleia Legislativa. Sua eventual indicação significaria algo ainda mais relevante: a adesão formal de Ezequiel ao projeto de Cadu Xavier.
E aí está o ponto central.
Há meses, a governadora Fátima Bezerra tenta atrair o presidente da Assembleia para sua órbita política. O próprio Ezequiel já admitiu os convites. Mas, até agora, respondeu apenas com a cautela que se transformou em sua principal marca política.
O PT sabe que a presença do PSDB na chapa teria valor simbólico e eleitoral. Simbólico porque ampliaria o discurso de frente política. Eleitoral porque ajudaria a reduzir resistências em regiões onde o partido enfrenta maiores dificuldades.
A entrevista também revelou outro movimento estratégico: a aposta total em Samanda Alves para o Senado.
O discurso de Odon deixa claro que o PT pretende repetir uma fórmula conhecida. Colar a imagem de Samanda à de Lula e Fátima Bezerra, mobilizar a militância e apostar no crescimento durante a reta final da campanha.
É uma estratégia coerente com a história eleitoral petista. Mas também evidencia uma preocupação: hoje Samanda ainda precisa ampliar conhecimento popular para disputar espaço num cenário que já conta com nomes mais conhecidos do eleitorado.
Nesse contexto, ganha relevância a crítica feita por Odon à senadora Zenaide Maia.
Ao afirmar que respeita, mas não concorda com o afastamento da parlamentar, o ex-prefeito traduz um sentimento presente dentro do PT. A legenda parece ter concluído que dificilmente contará com Zenaide no mesmo campo político em 2026 e, por isso, passou a investir todas as fichas em uma candidatura própria ao Senado.
No fim das contas, a entrevista produziu uma sinalização importante.
Enquanto muitos observam a disputa entre os pré-candidatos ao Governo, o PT parece concentrado em outra missão: fechar a engenharia da chapa antes das convenções.
E, pelo que indicou Odon Júnior, as novidades prometidas para o período junino podem ter menos a ver com fogueiras e mais com alianças. Afinal, na política potiguar, junho é o mês de São João — e também de casamento.
Agorasei — A Rádio 96 FM e o Instituto Agorasei apresentam na próxima segunda-feira (1º) os resultados da primeira pesquisa estadual de 2026. O levantamento será divulgado a partir das 18h, durante o Jornal das Seis, apresentado pelo jornalista Ênio Sinedino.
Batizada de Painel Rio Grande do Norte 2026, a pesquisa reúne dados sobre o cenário político, administrativo, eleitoral e socioeconômico do estado. O estudo avalia as administrações municipais, além dos governos da governadora Fátima Bezerra e do presidente Lula.
O levantamento também traz sondagens para os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República, oferecendo um retrato inicial da disputa eleitoral no Rio Grande do Norte.
Foram entrevistados 1.500 eleitores com 16 anos ou mais em 70 municípios distribuídos pelas 19 microrregiões do estado. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números RN-02699/2026 e BR-05671/2026.