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Diógenes Dantas


Que tal servir uma buchada de bode no julgamento do Supremo?

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Em Brasília, costuma-se servir pizza para livrar a cara de muita gente enredada em escândalos de corrupção, alvos, por exemplo, de CPIs do Congresso Nacional.

O que será servido nesta terça-feira na sessão histórica do Supremo Tribunal Federal, que vai decidir se Alexandre de Moraes deve ser investigado pela relação revelada nas mensagens de Daniel Vorcaro?

Acho que está mais para uma buchada nordestina, com miúdos, tripas, vísceras e temperos encorpados.

Dependendo do que for exposto pelos senhores ministros, podemos presenciar uma indigestão suprema, dentro e fora do tribunal.

O STF tem diante de si uma oportunidade para enfrentar a maior crise interna dos últimos anos sem corporativismo e sem jogar o lixo para debaixo do tapete.

Primeiro, porque ninguém está acima da lei. Se o Supremo exige investigação rigorosa quando surgem indícios contra autoridades dos outros Poderes, não pode adotar uma régua diferente quando as suspeitas chegam à própria Corte.

Segundo, porque investigar não significa condenar. Ao contrário. Uma apuração séria, dentro da lei e com direito de defesa, pode tanto responsabilizar culpados quanto inocentar quem foi acusado injustamente.

Terceiro, porque a transparência, neste momento, interessa ao próprio ministro Alexandre de Moraes. Um arquivamento depois de uma investigação consistente terá muito mais legitimidade do que qualquer decisão que possa ser interpretada como proteção entre colegas.

E, finalmente, porque está em jogo algo maior do que o destino de um ministro.

Está em jogo a credibilidade do Supremo Tribunal Federal. Hoje, segundo as pesquisas de opinião, essa credibilidade anda no rés do chão.

A Corte que cobra transparência dos outros precisa ser capaz de praticá-la dentro de casa.

O STF não precisa servir pizza. Muito menos esconder os restos da buchada debaixo do tapete.

Precisa apenas cumprir a lei.

E deixar tudo às claras.

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