Quando Flávio Bolsonaro desembarcou em Washington, muitos viram na viagem apenas uma tentativa de mudar o foco das notícias que o cercavam no Brasil. A foto com Donald Trump no Salão Oval parecia cumprir esse papel.
Mas a política é feita de símbolos e de consequências.
A imagem divulgada na Casa Branca teve valor político. O anúncio feito agora pelo governo norte-americano, classificando PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, tem valor estratégico.
A decisão dos Estados Unidos ocorreu apenas dois dias depois da conversa de Flávio com Trump e um dia após o encontro com o secretário de Estado, Marco Rubio. É evidente que a medida não foi produzida em 48 horas. Processos dessa natureza são discutidos e preparados com antecedência. Mas também é evidente que Flávio soube se posicionar politicamente diante do tema e agora colhe os dividendos da decisão anunciada por Washington.
Na prática, o senador volta ao Brasil carregando um troféu político.
Enquanto o governo Lula atuava nos bastidores para evitar a classificação, Flávio defendia exatamente o movimento contrário. Washington decidiu seguir pela trilha apoiada pelo senador brasileiro.
O impacto eleitoral é inevitável.
A segurança pública continua entre as maiores preocupações dos brasileiros. Ao transformar PCC e Comando Vermelho em tema de política internacional, Flávio reforça uma narrativa que a direita domina com facilidade: a do combate sem concessões ao crime organizado.
Para Lula, o episódio é desconfortável. Para Flávio, é uma vitória.
A reunião na Casa Branca pode ter durado poucos minutos. Seus efeitos políticos tendem a durar muito mais.