Há uma regra não escrita na política do Rio Grande do Norte: quando alguém diz que sabe o que Ezequiel Ferreira vai fazer, provavelmente não sabe.
O presidente da Assembleia Legislativa passou anos cultivando essa fama. Fala pouco, escuta muito e raramente entrega suas cartas antes da hora.
Agora, quando a sucessão estadual entra na reta decisiva, volta a demonstrar que sua principal força política talvez não seja o tamanho do PSDB, mas a capacidade de manter todos os lados na expectativa.
A governadora Fátima Bezerra já pediu diversas vezes seu apoio para a pré-candidatura de Cadu Xavier. O próprio Ezequiel confirmou. Mas fez questão de acrescentar o detalhe mais importante: pedido não é compromisso.
A declaração parece simples. Mas não é.
Ao admitir a pressão da líder petista e, ao mesmo tempo, recusar qualquer definição, Ezequiel reposiciona o PSDB como uma das peças mais disputadas do tabuleiro eleitoral. Cadu precisa dele para ampliar a musculatura da chapa governista.
Allyson Bezerra acompanha cada movimento. Álvaro Dias também mantém as portas abertas.
Ezequiel conversa com todos. Mais do que isso: faz questão de que todos saibam que continua conversando.
Não se trata apenas da disputa pelo Governo do Estado. O cálculo de Ezequiel é outro. O presidente da Assembleia está preocupado com a nominata proporcional, com a eleição dos deputados estaduais — incluindo a própria reeleição — e com a preservação das bases municipais que sustentam o partido. Antes de escolher um governador, quer garantir o tamanho da bancada.
É por isso que resiste à pressa.
Enquanto Cadu espera, Allyson observa e Álvaro acena, Ezequiel ganha tempo, valoriza seu passe e amplia seu poder de negociação.
Se entregar tudo agora, Ezequiel perde valor no mercado político antes das convenções partidárias.
E isso seria uma novidade.
Nem Ezequiel vai falar por Ezequiel.