Motoristas do Rio Grande do Norte começaram a perceber, nos últimos dias, que abastecer ficou mais caro. O aumento nos preços da gasolina e do diesel já aparece em postos do estado e é resultado de reajustes feitos por refinarias que abastecem o mercado potiguar, pressionadas pela alta do petróleo no mercado internacional.
A principal fornecedora de combustíveis do estado, a Refinaria Potiguar Clara Camarão, em Guamaré, anunciou o segundo aumento em menos de uma semana. A gasolina A subiu de R$ 2,5915 para R$ 2,8915 por litro, alta de R$ 0,30 no produto puro. Como a gasolina vendida nos postos tem mistura de etanol, o impacto estimado para o consumidor é de cerca de R$ 0,21 por litro. No diesel S500, o aumento foi ainda maior: passou de R$ 3,3225 para R$ 4,0725, uma alta de R$ 0,75 por litro no produto puro, com impacto aproximado de R$ 0,63 no valor final.
Somando os dois reajustes anunciados nesta semana pela refinaria de Guamaré, a gasolina acumula aumento de quase R$ 0,38 por litro e o diesel de cerca de R$ 0,80. A unidade é responsável por cerca de 60% do abastecimento de combustíveis no Rio Grande do Norte.
Outra refinaria que abastece o Nordeste também anunciou aumento. A Refinaria de Mataripe, na Bahia, operada pela Acelen, elevou o preço da gasolina A de R$ 2,5370 para R$ 2,8370. O diesel S-10 passou de R$ 3,5633 para R$ 4,1841 e o diesel S-500 de R$ 3,4633 para R$ 4,0841. Parte desse combustível chega ao mercado nordestino por meio do Porto de Suape, em Pernambuco, e pode influenciar os preços no Rio Grande do Norte.
Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do RN (Sindipostos-RN), Maxwell Flor, os reajustes já estão sendo repassados aos consumidores. “São aumentos muito expressivos que não têm como o posto segurar em sua margem”, afirmou.
A principal razão para a alta é a disparada do preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, que custava cerca de 60 dólares no início do ano, já passou dos 80 dólares e chegou a 84,15 dólares no início de março. O aumento é reflexo da tensão no Oriente Médio após o conflito militar entre Estados Unidos e Irã, região que concentra algumas das maiores reservas de petróleo do mundo.
No caso do Rio Grande do Norte, o impacto tende a ser ainda mais rápido. A refinaria Clara Camarão não produz gasolina nem diesel — esses combustíveis são importados principalmente dos Estados Unidos e da Europa e chegam ao estado pelo terminal marítimo de Guamaré. Por isso, qualquer variação no preço do petróleo ou no câmbio acaba sendo repassada ao mercado local.
Além disso, houve aumento no ICMS do etanol no estado a partir de 1º de março, o que também contribui para pressionar o preço final da gasolina nos postos.
O setor de combustíveis afirma que o cenário ainda é incerto. Enquanto o conflito internacional continuar pressionando o preço do petróleo, novos reajustes não estão descartados.