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Hellen Jambor


Com gasolina mais cara, promessa de Lula de “abrasileirar” combustíveis volta à memória dos brasileiros

Lula combustíveis | Foto gerada por IA

Por Herllen Jambor - Jornalista da 96FM

“Alguém aí na sua casa ganha em dólar? O seu salário sobe quando o dólar sobe? Então por que a Petrobras está ajustando o preço do combustível em dólar?”. Essa fala foi feita por Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha presidencial de 2022, ao defender que o Brasil deveria “abrasileirar” os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

Com o novo aumento nas bombas provocado pela disparada do petróleo no mercado internacional, a declaração de Lula voltou a circular entre motoristas e consumidores.

A escalada da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã fez o preço do barril subir rapidamente nas últimas semanas. Um dos fatores é o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um terço de todo o petróleo transportado no mundo. Quando há ameaça de interrupção nesse corredor estratégico, o mercado reage com alta imediata nos preços.

Mesmo sendo um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda depende de importações para parte do consumo. Cerca de 25% do diesel utilizado no país vem do exterior. Como esses combustíveis são negociados em dólar e com referência internacional, qualquer alta no mercado global acaba pressionando os custos internos.

No Rio Grande do Norte, os efeitos já começaram a aparecer. A Refinaria Potiguar Clara Camarão, em Guamaré — responsável por cerca de 60% do abastecimento do estado — anunciou o segundo reajuste em menos de uma semana.

Segundo o presidente do Sindipostos RN, Maxwell Flor, os aumentos já começaram a chegar aos postos.
“Infelizmente, como já era de se esperar, os preços dos combustíveis dispararam em função da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Desde o início da semana os postos vêm recebendo reajustes expressivos por parte das distribuidoras”, afirmou.

Em Natal, o preço da gasolina comum já chegou a R$ 6,99 em alguns postos nesta quinta-feira (5). Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), na semana anterior o valor médio na capital potiguar era de R$ 6,58.

Maxwell Flor explicou que os postos não conseguem absorver os aumentos.
“São valores muito expressivos que não têm como o posto segurar em sua margem. É inevitável que esses reajustes sejam repassados ao consumidor.”

Vale lembrar que, após assumir o governo em 2023, o presidente Lula alterou a política de preços da Petrobras e encerrou a regra automática que seguia a paridade internacional. Desde então, a estatal passou a considerar também fatores como custos de produção no Brasil e condições do mercado interno. Porém, especialistas apontam que esse modelo pode gerar períodos de defasagem em relação ao mercado internacional, principalmente quando o petróleo sobe rapidamente.

A exemplo do levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) realizado na última quarta-feira (4), onde aponta que o diesel vendido nas refinarias da Petrobras chegou a apresentar defasagem de até 47% em relação ao mercado internacional, enquanto a gasolina registra diferença próxima de 19%.

Mesmo com mudanças na política de preços da Petrobras ao longo do atual governo, o mercado internacional continua sendo um fator determinante para o valor final dos combustíveis. Na prática, quando o petróleo e o dólar sobem, o impacto acaba chegando ao consumidor brasileiro — justamente o cenário que Lula criticava durante a campanha de 2022, ao prometer “abrasileirar” os preços.

Veja o vídeo de Lula em 2022:

Leia também: Combustíveis sobem no RN após disparada do petróleo por guerra no Oriente Médio

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